‘Private equity’ deve retomar crescimento em Portugal, antecipa Roland Berger
Consultora estratégica espera que o investimento em 2026 acompanhe a tendência de recuperação europeia, porque há negócios que foram adiados nos últimos dois anos.
O mercado de private equity em Portugal deverá acompanhar a recuperação europeia e retomar o crescimento em 2026, porque existem melhores condições de financiamento e houve vários negócios que ficaram em stand by nos últimos dois anos. Esta é a principal conclusão de um relatório elaborado pela consultora Roland Berger e divulgado esta quarta-feira.
Perante um histórico recente de queda no número de transações, por fusões e aquisições (M&A) adiadas a partir de 2023, depois do boom do pós-pandemia, a consultora estratégica defende que Portugal surge alinhado com a retoma do mercado europeu de private equity.
“As perspetivas para o private equity em Portugal e em Espanha são cada vez mais otimistas, prevendo-se que ambos os países venham a registar uma mudança significativa na atividade de M&A nos próximos anos. Com um enquadramento económico favorável e um apetite crescente por investimento, as sociedades de private equity encontram-se bem posicionadas para capitalizar as oportunidades emergentes em diversos setores”, afirma João Cunha, consultor sénior (principal) da Roland Berger, em declarações divulgadas com o relatório.
Segundo João Cunha, que faz parte da equipa de bens de consumo, comércio a retalho e serviços financeiros em Lisboa, “este dinamismo não só reflete a resiliência destes mercados, como também evidencia o potencial para retornos substanciais sobre o investimento”. “Olhando para o futuro, a aposta na inovação e no crescimento sustentável em Portugal e em Espanha irá, certamente, atrair mais capital, tornando este um momento particularmente estimulante para os investidores de private equity na região”, diz.
O estudo European Private Equity Outlook 2026, para o qual foram contactados cerca de 3.500 representantes de firmas de investimento em private equity e assessores de M&A na Europa, conclui que a maioria (mais de 75%) dos inquiridos espera um aumento homólogo do número de operações de M&A por parte dos fundos em 2026.
A análise da multinacional alemã elenca mesmo a Península Ibérica como um porto seguro (“safe harbor”) para investimento privado envolvendo compra de participações. Importa realçar que o inquérito internacional foi realizado antes do início da guerra no Médio Oriente.
“As perspetivas são positivas, com 46% dos inquiridos a preverem um aumento da atividade, enquanto 44% antecipam estabilidade e apenas 10% projetam uma contração. Ainda assim, Portugal e Espanha registaram uma queda de 5% no volume de transações entre 2024 e 2025, num ano em que o mercado europeu cresceu, em média, 13%”, lê-se no documento.
PME em destaque
Neste contexto de recuperação do private equity, o segmento de pequena e média capitalização (small e mid-cap) deverá assumir-se como principal motor da atividade este ano, o que “poderá beneficiar particularmente Portugal e Espanha”. A atração deve-se à maior disponibilidade de dívida e por avaliações mais equilibradas em comparação com as empresas de grande dimensão.
Apesar de cerca de metade dos investidores e assessores contactados pela Roland Berger considerar que os múltiplos de avaliação das empresas se mantêm altos, a perceção de equilíbrio está a ganhar terreno, com mais de um terço (40%) dos inquiridos a indicar que os ativos têm uma avaliação justa (fairly valued).

Em termos de setores, o de tecnologia, software e soluções digitais continua com elevado potencial de investimento, seguindo-se serviços empresariais e industriais, logística, infraestruturas e saúde.
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