Gleba confia na aprovação do PER e trava abertura de lojas
Expansão da rede de lojas nos últimos anos colocou a famosa padaria artesanal em dificuldades, que tenta agora resolver com uma extensão dos prazos das dívidas que superam os 12 milhões de euros.
A Gleba tem em curso um plano de recuperação (PER) que passa pela extensão do prazo de reembolso das dívidas que ascendem a mais de 12 milhões de euros. O fundador da famosa padaria artesanal adianta ao ECO que está “confiante” na aprovação do PER. Diogo Amorim afastou ainda a abertura de mais lojas nos próximos anos.
“Estamos confiantes que sim”, responde Diogo Amorim sobre a expectativa em relação à aprovação do plano de recuperação. Diogo Amorim fundou a Gleba em 2016, empresa da qual ainda controla 65% — os restantes 35% estão nas mãos do empresário António Carrapatoso e da sua filha, Marta.
A atravessar problemas de tesouraria por conta dos pesados investimentos no projeto de expansão nos últimos anos, a Gleba submeteu junto do tribunal um PER que prevê o pagamento de 100% do capital aos credores nos próximos dez anos. Só dessa forma é que a padaria diz que conseguirá salvar mais de 230 postos de trabalho e um negócio que deverá faturar mais de 13 milhões de euros este ano.
A empresa reconhece que se encontra numa situação financeira difícil, enfrentando fortes constrangimentos liquidez e que tornam difícil honrar os compromissos com os credores.
Em 2024, abriu 12 lojas, duplicando a rede comercial na Grande Lisboa. Mas se o processo de expansão trouxe mais negócio, também trouxe problemas que colocam a padaria sob pressão. “Registaram-se atrasos na execução e no arranque de algumas dessas novas lojas, bem como custos de instalação superiores aos previstos. Além disso, os resultados de algumas das novas lojas ficaram aquém do esperado, sendo que a maior complexidade logística e o reforço das equipas agravaram as necessidades de fundo de maneio da Gleba”, assume no PER.
“Apesar da consolidação da marca e da expansão alcançada, a conjugação destes fatores tem vindo a pressionar a tesouraria da Gleba, originando constrangimentos de liquidez e de solvabilidade de curto prazo”, acrescenta.
Agora procura um reequilíbrio financeiro através do PER, com Diogo Amorim a frisar que a padaria se encontra “numa fase de consolidação e de ganhos de eficiência e, por isso, não há planos de abertura de lojas nos próximos anos”.
Com créditos reconhecidos de 12,3 milhões de euros, metade dos quais junto da banca, a Gleba salienta que também já avançou com medidas internas para a racionalização dos custos, como a internalização de algumas tarefas, como a limpeza dos estabelecimentos e o processamento salarial.
Para este ano, a padaria espera uma faturação superior a 13 milhões de euros, devendo crescer até aos 15 milhões em 2029. Mas neste período as contas continuarão no vermelho: os prejuízos deverão ascender a 630 mil euros este ano. Só em 2032 é que a padaria prevê resultados positivos, acima do milhão de euros. Mas o futuro da Gleba está nas mãos dos credores, que têm de aprovar o PER.
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