Exclusivo Lituana Joiner chega a Portugal para combater o “dating app burnout” com um olho nos EUA

Para apoiar o lançamento em Portugal, a lituana Joiner "está a investir mais de 300 mil euros na contratação de equipas locais nas áreas de marketing e tecnologia".

Eduard Titov e Jurate Plungyte, fundadores da Joiner

Apresenta-se como o “oposto de uma aplicação de encontros” criada para responder ao “dating app burnout“. A Joiner chega a Portugal, o seu primeiro mercado de internacionalização e ponto de partida para a expansão internacional da startup lituana. Espanha e Brasil são mercados na mira e, antes de 2030, querem chegar aos EUA.

“Portugal funciona como um mercado-teste europeu ideal, sobretudo cidades como Lisboa e Porto. São cidades de média dimensão, com forte presença de comunidades internacionais, nómadas digitais e estudantes universitários, públicos que frequentemente procuram facilitar a sua integração social”, começa por referir Jūratė Plungytė, cofundadora da Joiner com Eduard Titov (CEO), Maksimas Staškūnas (CFO) e Aleksandrs Sipkevics (CTO), ao ECO.

Portugal representa ainda “uma porta de entrada estratégica para o Brasil, beneficiando da partilha da língua, de uma comunidade brasileira já estabelecida e da presença de fundos de capital de risco ativos em ambos os mercados”, acrescenta a também chief marketing officer da startup lituana. Mas não só.

Se o Brasil é “prioridade estratégica, tirando partido das ligações desenvolvidas em Portugal”, o plano passa por “expandir de Portugal para Espanha e possivelmente para a Chéquia em 2026. O restante mercado europeu está no radar“, diz, sendo que “o objetivo é entrar no mercado norte-americano antes de 2030”.

Portugal funciona como um mercado-teste europeu ideal, sobretudo cidades como Lisboa e Porto. São cidades de média dimensão, com forte presença de comunidades internacionais, nómadas digitais e estudantes universitários, públicos que frequentemente procuram facilitar a sua integração social.

Jurate Plungyte

Cofundadora da Joiner

Em Portugal, a aplicação faz o seu lançamento oficial na próxima sexta-feira. E, para apoiar o lançamento em Portugal, a Joiner “está a investir mais de 300 mil euros na contratação de equipas locais nas áreas de marketing e tecnologia, posicionando o país como base operacional da sua estratégia de crescimento internacional”, revela a cofundadora.

O que traz de novo a app?

Num mercado onde não faltam aplicações de encontros, o que traz de novo a aplicação? “A Joiner é, em muitos aspetos, o oposto de uma aplicação de encontros. Foi criada para contrariar esse modelo e responder ao fenómeno do dating app burnout, cada vez mais evidente, sobretudo entre a Geração Z. Em termos simples, trata-se de um estado de exaustão psicológica e desmotivação provocado pelo uso prolongado destas plataformas, alimentado pela gamificação, excesso de escolha e interações de natureza transacional”, explica Jūratė Plungytė.

A app “surge como alternativa e como resposta a uma mudança de comportamento mais ampla: cada vez mais pessoas procuram ligações reais e experiências partilhadas, sem a pressão das relações um-para-um. É uma plataforma de socialização offline que permite descobrir, organizar e participar em eventos. Em vez de um modelo transacional baseado em matching, propõe um modelo transformacional centrado na criação e partilha de atividades, e não na avaliação de perfis“, continua.

“A plataforma agrega eventos por área geográfica e serve dois públicos principais: expatriados que procuram integrar-se rapidamente numa nova cidade e residentes locais interessados em novas atividades e em alargar o seu círculo social”, refere.

“Opera num ecossistema estritamente pessoa-a-pessoa (P2P), bloqueando eventos comerciais e publicidade corporativa direta. Em simultâneo, integra uma lógica de economia de criadores, permitindo aos utilizadores assumir o papel de anfitriões, criar micro-comunidades e monetizar as suas próprias iniciativas locais”, detalha.

Jurate Plungyte, cofundadora e CMO da Joiner.

Na prática, a “funciona como um catálogo interativo que direciona os utilizadores para atividades presenciais em grupo. É possível explorar um feed local de eventos ou criar novas atividades, desde caminhadas na natureza e noites de jogos de tabuleiro, de encontros depois do trabalho a festas temáticas, concertos ou jogos de futebol”, exemplifica.

Através de Inteligência Artificial, a plataforma gera “automaticamente descrições de eventos em segundos, simplificando a organização”. “Numa fase inicial, a localização exata não é divulgada, sendo apresentado apenas um raio aproximado de cinco quilómetros. Os interessados pedem para participar e entram numa lista de espera. O anfitrião pode consultar os perfis dos candidatos, incluindo contas de Instagram associadas, e aceitá-los ou recusá-los”, descreve.

Este mecanismo permite maior controlo sobre a dinâmica do grupo e reforça a segurança”, justifica. “Após aprovação, a localização exata é revelada e o utilizador passa a ter acesso ao chat do grupo, onde são alinhados os detalhes logísticos antes do encontro presencial”.

Série A para “breve”

Até ao momento, a Joiner já levantou cerca de 1,2 milhões de euros em duas rondas de financiamento lideradas por business angels e parceiros estratégicos. “Entre os investidores estão os cofundadores Maksimas Staškūnas e Jūratė Plungytė, que apoiaram o projeto numa fase inicial, bem como a agência Ogilvy Vilnius e a sociedade de advogados Motieka & Audzevičius, ambos com forte presença na Lituânia”, indica a cofundadora.

“A restante parcela do capital, incluindo a ronda mais recente de 500 mil euros, foi assegurada por um empreendedor local e por um grupo de investidores privados lituanos cujas identidades não foram divulgadas. Está atualmente em preparação uma ronda Série A, com novidades previstas para breve”, adianta sem mais pormenores.

Objetivo 250 mil utilizadores

Desde o lançamento, o crescimento da aplicação tem sido “rápido e maioritariamente orgânico”, tendo ultrapassado os 52 mil downloads, registando cerca de 1.500 utilizadores ativos por dia. “Na Lituânia, a base de utilizadores cresceu dez vezes em apenas dois meses, praticamente sem investimento em marketing pago”, destaca a CMO.

“Em Vilnius, o impacto social foi particularmente significativo. O papel da aplicação na integração de expatriados levou o presidente da câmara a propor uma parceria direta com o município, atualmente em desenvolvimento e que acreditamos poder ser replicada em cidades como Lisboa e Porto”, aponta.

Nos próximos meses, “o foco será sobretudo a atração de utilizadores e um investimento significativo em marketing”, diz. “O objetivo é ultrapassar os 250 mil utilizadores, com especial incidência em Lisboa e Porto“, antecipa.

Monetização da aplicação

Hoje em dia a aplicação é gratuita para os utilizadores. Mas há uma estratégia de monetização que está a ser desenhada junto dos negócios locais (B2B), criadores (B2C) e subscrições premium para utilizadores e organizadores de eventos.

“O primeiro eixo são parcerias estratégicas com negócios locais — cafés, bares, clubes e espaços de coworking. A Joiner gera tráfego real para estes espaços através dos eventos organizados e recebe comissões sobre a receita gerada. Existe uma regra clara: as marcas não podem fazer publicidade direta nem criar eventos comerciais na plataforma; as atividades têm de ser dinamizadas por pessoas reais”, explica.

O segundo eixo é a economia de criadores. “Os anfitriões podem organizar eventos pagos e vender bilhetes diretamente na aplicação, monetizando as suas micro-comunidades e partilhando receitas com os espaços parceiros. A Joiner pretende evitar as taxas fixas normalmente cobradas pela concorrência”, indica Jūratė Plungytė.

O terceiro, um modelo de subscrição premium, está “em desenvolvimento”. Ou seja, para utilizadores regulares, a aplicação irá oferecer “maior visibilidade, vantagens exclusivas e acesso a eventos restritos”, enquanto para os “organizadores, disponibilizará ferramentas avançadas, como análise de dados das comunidades e opções de promoção de eventos”.

“O objetivo é criar um ecossistema equilibrado em que todos beneficiam: os espaços ganham clientes, os organizadores rentabilizam a sua capacidade de mobilizar pessoas e a plataforma captura valor ao facilitar estas interações”, sintetiza.

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