Metade das empresas globais espera atingir maturidade digital até ao fim do ano
Relatório da KPMG revela discrepância entre a ambição e a realidade, até porque só 11% das organizações mundiais indica ter chegado a esse ponto de maturidade tecnológica.
As empresas globais estão a acelerar os seus investimentos em tecnologia, nomeadamente inteligência artificial (IA), mas a maioria ainda não tem as estruturas necessárias para transformar esse investimento em resultados consistentes, em previsibilidade operacional e em retorno financeiro. Esta é uma das principais conclusões do novo estudo internacional elaborado pela consultora KPMG.
Metade (50%) dos executivos acredita que as suas organizações irão atingir o nível máximo de maturidade tecnológica até ao fim do ano, mas só 11% diz estar nesse patamar atualmente. Segundo a KPMG, esta discrepância revela um “claro fosso” entre a ambição e a realidade.
Quais são os maiores entraves? A maioria (53%) das empresas reconhece que não dispõe ainda do capital humano que é preciso para concretizar os seus objetivos de transformação, enquanto 63% admite que o custo de corrigir a dívida técnica acumulada está a travar novos investimentos.
A transformação tecnológica entra numa fase decisiva, pois já não se trata apenas de investir em novas ferramentas, mas de garantir que existem bases estruturadas (dados, arquitetura, talento e governance) que permitam escalar a tecnologia de forma sustentável e com impacto real.
O relatório “Global Tech Report 2026”, que envolveu 2.500 entrevistas, mostra ainda que a IA está a sair da fase experimental, até porque 88% dos executivos afirma já estar a investir na integração de agentes capazes de executar tarefas de forma autónoma. No entanto, em linha com as declarações do chairman da KPMG ao ECO, menos de um terço (24%) conseguem demonstrar retorno do investimento.
Aliás, 58% dos participantes no inquérito considera que as métricas tradicionais de ROI (Return on Investmento) são insuficientes para avaliar investimentos em IA e 55% admitem dificuldades em comunicar o valor destes projetos (casos de uso ou pilotos) a stakeholders e acionistas.
“A aceleração da IA e da automação, sem uma base sólida de dados, de governance e de arquitetura tecnológica, poderá agravar riscos operacionais e dificultar a demonstração de retorno, num mercado onde a capacidade de investir de forma seletiva e de escalar com disciplina será cada vez mais determinante para a competitividade e para a resiliência das empresas”, conclui o sócio Rui Gonçalves.
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