Vendas da Mango crescem 15% em Portugal. Vai abrir mais três lojas

Lina Santos,

Empresa espanhola obteve um recorde de vendas em 2025. Portugal mantém-se como um dos mercados mais relevantes da companhia e cresceu 15%. A situação geopolítica está no centro das preocupações.

Da Mango, Margarita Salvans, Toni Ruiz e Daniel López, CFO, CEO e administrador com o pelouro da internacionalização

A Mango cresceu 13% em 2025, alcançando os 3,8 mil milhões de euros e um valor de recorde de vendas, segunda a empresa espanhola que apresentou os resultados anuais esta quinta-feira, no seu campus, nos arredores de Barcelona. As receitas cresceram 16% face à última apresentação de resultados e “crescemos acima do mercado”, disse Toni Ruiz, CEO da Mango. Mantém-se o objetivo de alcançar os 4 mil milhões de faturação em 2026, avançando há um ano quando apresentaram os números.

Os lucros da empresa estão nos 242 milhões, mais 11% do que há um ano. “Soubemos consolidar o nosso modelo de negócio. Foi também um ano recorde de investimento, “destinado a projetos estratégicos como o nosso novo campus e a aposta tecnológica para melhorar a experiência dos nossos clientes”, segundo a diretora financeira da Mango, Margarita Salvans. O EBIDTA da Mango está agora nos 722 milhões de euros, aumentando também 13% face a 2024.

No último ano, a Mango reforçou a sua presença com lojas nos 120 mercados onde opera. “Reafirmamos a nossa vocação de abrir lojas para estar próximos dos nossos clientes. Somos dos que mais lojas estão a abrir nos últimos anos. Abrimos ou reformámos todos os dias do ano”, refere o CEO.

Têm hoje 2.900 pontos de venda espalhados pelo mundo e mais de 18 mil trabalhadores de 160 nacionalidades diferentes – destes, 78% são mulheres. “A Mango atravessa o momento mais sólido da sua história”, garantiu Toni Ruiz, durante a conferência de imprensa para mais de três dezenas de jornalistas de Espanha, Portugal, Reino Unido, França e Turquia.

O exercício foi marcado pela morte de Isak Andic, no final de 2024 “Foi o primeiro ano sem o nosso fundador”, admitiu. Um assunto que a administração da Mango quis deixar fora da apresentação dos resultados, “por estar sob segredo de justiça”. Decorre uma investigação judicial que tem como principal suspeito o filho de Andic.

No detalhe dos resultados, Margarita Salvans, diretora financeira da Mango, acrescentou que a empresa cresceu “de maneira excecionalmente rentável e sã”. “Continuamos a consolidar a tendência de crescimento de dois dígitos acima do setor”, afirmou, atribuindo os números “ao êxito das nossas coleções nas lojas e no canal online” e “a uma gestão de custos muito eficiente”.

Portugal cresce acima da média

“A Mango reforçou a sua posição em Portugal, registando um crescimento do volume de negócios na ordem dos 15%”, de acordo com a empresa.

“Em linha com o seu compromisso de proximidade ao cliente e com a otimização contínua da sua rede de lojas, a empresa abriu quatro novos pontos de venda ao longo do ano, acrescentando aproximadamente 2.300 metros quadrados de área comercial. A Mango avançou igualmente com a renovação da sua rede, concretizando uma remodelação, com o objetivo de elevar ainda mais a experiência em loja”, acrescenta o comunicado.

No final de 2025, a empresa operava mais de 50 pontos de venda no país, representando cerca de 23.000 metros quadrados de área comercial, e empregava aproximadamente 520 colaboradores. Portugal foi o país escolhido pela Mango para iniciar a sua internacionalização em 1992 (oito anos após o nascimento da empresa).

Para 2026, a Mango prevê abrir três novos pontos de venda em Portugal, acrescentando aproximadamente 1.600 m² de área comercial, com uma abertura de destaque prevista para o Porto, no âmbito do seu plano estratégico para reforçar a capilaridade e sustentar um crescimento rentável.

Para 2026, a Mango prevê abrir três novos pontos de venda em Portugal, acrescentando aproximadamente 1.600 metros quadrados de área comercial, com uma abertura de destaque prevista para o Porto, no âmbito do seu plano estratégico para reforçar a capilaridade e sustentar um crescimento rentável.

78% das vendas são fora de Espanha

Os resultados da Mango para 2025 mostram também que as vendas online representam neste momento um terço das vendas totais e que 78% da faturação se faz fora de Espanha, confirmando a vocação global da marca muito sublinhada durante a conferência de imprensa por Toni Ruiz e por Daniel López. Estes são os principais mercados da marca:

  • Espanha
  • França
  • Turquia
  • Alemanha
  • Estados Unidos

A Mango detém linhas woman, man, teen, kids e home. A linha mulher é o motor da empresa representado 79% das receitas. As restantes, somam 21% das vendas. A linha teen começa agora a sua expansão em lojas físicas (e Portugal voltou a ser uma dos primeiros mercados para esse crescimento), a linha home iniciou a sua presença física em 2025, apenas em Espanha. Para já, não está prevista a abertura de lojas em Portugal (ou em outros mercados).

Como a situação internacional afeta a Mango

Com o escalar do conflito no Médio Oriente e as notícias de maior tensão também entre Espanha e os EUA, Ruiz garantiu que a empresa está atenta. “Somos uma empresa global e a geopolítica é muito importante, reforçámos, por isso, os perfis no conselho de administração que nos ajudam a entender muito mais o que se está a passar no mundo, pondo ênfase no que é estrutural”. Sobre a situação em concreto, explicou que “a cadeia de fornecimentos é resiliente e tem de ser diversificada, temos mostrado que somos rápidos a responder”.

“É um momento recente e que há que gerir. Sabemo-lo porque já as vivemos no passado. Temos o foco nas pessoas, o mais importante são as equipas que temos na zona, os nossos sócios franchisados, é isso o que guia as decisões”, afirmou Daniel López. Além de lojas e pontos de venda, a Mango trabalha com cerca de mil fábricas espalhadas pelo mundo. Não foram revelados dados concretos sobre encerramento de lojas.

El Hangar Design Center, sede da Mango nos arredores de Barcelona

Uma loja por dia em todos os dias de 2025

Daniel López. administrador com o pelouro da internacionalização, sublinhou a importância das lojas na estratégia da Mango. “São um ponto privilegiado com os nossos clientes e para estar o mais próximos possível”. “Abrimos mais de 260 lojas e reformámos 86”, precisou, notando que a decisão contraria o que se está a fazer no setor.

Atualmente, a Mango detém 2.931 pontos de venda, aproxima-se dos 900 mil metros quadrados de área comercial. “Crescemos em qualidade e representatividade da marca nas melhores localizações. Inauguramos flagships em Barcelona, Berlim, Londres, Munique…”, detalhou. “Este trabalho nas lojas favoreceu o trabalho no canal online, que representa 32% das vendas”.

Dissemos que queríamos abrir uma loja por cada dia útil e superámos. Abrimos, ou reformámos, uma loja todos os dias do ano”

Toni Ruiz

CEO da Mango

Para o futuro, adiantou Daniel López, “temos dois grandes desafios: abrir mais lojas Teen. A abertura das lojas Mango Home, que apenas existem em Espanha neste momento, foi outro dos pontos abordados pela cúpula diretiva da Mango. “As quatro lojas em Espanha foram recebidas com êxito do que esperávamos e a nossa intenção é progredir nesta linha no futuro”, diz. “Pedem-nos, mas temos uma responsabilidade”, acrescentou Ruiz.

Sem planos para entrar em bolsa e uma dívida que “deixou de ser um tema relevante”

Toni Ruiz garante que a empresa não tem planos para entrar em bolsa, nem hoje nem no futuro. E a dívida, segundo Margarita Salvans, “deixou de ser um tema relevante para a Mango. Representa hoje 0,23% do ratio. “Temos um equilíbrio muito saudável”, garante.

Em 2025, a empresa realizou também um investimento recorde de 225 milhões, destinados a cinco grandes projetos, elencados por Margarita Salvans:

  • Expansão e reforma de lojas e novos pontos de venda.
  • Tecnologia: “Investimos em renovar a nossa capacidade tecnológica para continuarmos a liderar na nossa indústria”.
  • Campus Mango: “Representa mais do que uma espaço de trabalho, é onde cuidamos das nossas pessoas e projetamos a marca para o mundo. Inspiramos quem trabalha aqui e quem nos visita”. Esse investimento, orçado em 100 milhões de euros, começou em 2019 e deverá terminar em 2027, de acordo com as previsões da Mango, com um novo edifício destinado ao departamento tecnológico e um auditório com o nome de Isak Andic.
  • Logística, com a ampliação da plataforma dedicada à distribuição.
  • Sustentabilidade: “Consolidámo-nos como referência de sustentabilidade, reforçando o compromisso com a indústria circular”.

A jornalista viajou a convite da Mango a Barcelona.

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