Banca lucra mais de 5 mil milhões apesar da quebra da margem financeira
Caixa, BCP, Santander, BPI e Novobanco voltaram a quebrar recordes em termos de resultados, mesmo com a descida das taxas a pressionar.
Os lucros dos maiores bancos nacionais superaram os 5,2 mil milhões de euros no ano passado, uma subida de 6% em termos homólogos, num desempenho impulsionado pelos resultados da Caixa Geral de Depósitos (CGD), isto apesar da descida das taxas de juro ter penalizado a margem financeira.
O banco público registou lucros de perto de 2 mil milhões de euros e foi o que mais lucrou na praça portuguesa. Para o resultado da Caixa contribuiu decisivamente a venda da participação na Águas de Portugal à Parpública que gerou um ganho extraordinário de quase 200 milhões.
Por conta desse desempenho, a instituição liderada por Paulo Macedo irá pagar um dividendo de 1,25 mil milhões de euros, “o maior de sempre da banca portuguesa”, ao Estado.
Nos outros bancos, apenas o BPI viu o resultado cair no ano passado. Os lucros de BCP e Novobanco saltaram mais de 10% — no caso do BCP superou mesmo a fasquia dos mil milhões “nos melhores resultados de sempre”, e vai distribuir 90% desse resultado pelos acionistas através de dividendos e recompras de ações; no Novobanco houve resultado recorde no ano da venda aos franceses do BPCE.
O Santander Portugal viu os lucros estabilizarem na casa dos 960 milhões de euros no adeus a Pedro Castro e Almeida, que vai para Madrid, e nas boas-vindas à primeira mulher a lidera um grande banco em Portugal. Isabel Guerreiro herda o banco com a maior rentabilidade do setor, com um Rote acima de 30%.
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Margem cai mais de 6%
O alívio da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) teve impacto na margem financeira dos bancos, que caiu 6,3% para 8,7 mil milhões de euros em termos agregados. Apenas o BCP resistiu com a margem a subir mais de 2%.
Esta quebra foi parcialmente compensada com comissões, cujas receitas ascenderam a 2,6 mil milhões de euros, uma subida de 3,4% em comparação com 2024. Os bancos falam em mais clientes e mais transações.
As receitas dos bancos foram ainda compensadas de outra forma. Por exemplo, com a reversão do adicional de solidariedade que o tribunal considerou inconstitucional no ano passado e que deu aos bancos uma receita extraordinária na ordem dos 70 milhões ou a venda de dívida pública.
Crédito à habitação dispara 10%
Por outro lado, também tiveram mais negócio, o que ajudou a mitigar o impacto negativo da descida das taxas. O crédito disparou 8,5% para 213 mil milhões de euros à boleia do crédito à habitação, que aumentou 10,5% para 103,5 mil milhões. Desempenho ao qual não será alheia a linha de garantia pública para os jovens.
BPI, BCP e Caixa foram os bancos que tiveram os maiores incrementos nas carteiras de empréstimos para a compra de casa.
Já os depósitos subiram mais de 6% para 215 mil milhões. O BCP registou um crescimento de 11%, enquanto Santander, BPI e Novobanco cresceram na ordem dos 6%, o dobro da líder Caixa.
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Eficiência mantém-se apesar de subida dos custos
Os custos de estrutura subiram mais de 4% para 4 mil milhões de euros devido sobretudo ao aumento dos encargos com o pessoal. Os custos no BCP subiram ao dobro do ritmo: mais 8% para 1,4 mil milhões, com o banco liderado por Miguel Maya a justificar com a contratação de talento na Polónia.
Ainda assim, os bancos conseguiram manter a eficiência, com o rácio cost-to-income a situar-se entre os 30% e os 40% — com duas exceções, o Santander (28%) e o BPI (41%).
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