Candidatura ibérica à gigafábrica de IA assume um pólo em Sines e outro em Espanha

Luís Montenegro e Pedro Sánchez uniram esforços para atrair para a Península Ibérica uma das gigafábricas de IA da União Europeia. Infraestrutura poderá ser "bipolar" e ter instalações em Sines.

Os Governos de Portugal e Espanha formalizaram esta sexta-feira a intenção de apresentar uma “candidatura conjunta e de caráter paritário” ao desenvolvimento de uma gigafábrica de inteligência artificial (IA), apoiada por fundos europeus. Bruxelas deverá lançar o concurso durante a primavera, de forma a selecionar cinco candidaturas na União Europeia em regime de Parceria Público-Privada (PPP).

Numa declaração conjunta dos primeiros-ministros de Portugal e Espanha, assinada na 36.ª Cimeira Luso-Espanhola, que decorreu esta sexta-feira em Huelva, é indicado que os dois países “concordam em trabalhar de maneira exploratória” no projeto, “com um quadro flexível, sujeito a definições e ajustes futuros”.

Fonte familiarizada com o processo diz ao ECO que esta candidatura ibérica deverá ser “bipolar” – o que pressupõe a instalação de infraestrutura nos dois países. A mesma fonte confirmou que, do lado português, a proposta “é para Sines”, conforme avançou também o Jornal Económico esta sexta-feira.

A união de Portugal e Espanha na apresentação de uma “candidatura conjunta” já tinha sido revelada em janeiro pelo ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, mas nem o Governo nem o Banco de Fomento deram mais detalhes sobre as implicações da decisão. Nomeadamente, se a infraestrutura viria para Sines, região onde já está a ser desenvolvido o grande centro de dados da Start Campus, e que tem boas ligações a cabos submarinos.

De acordo com a declaração conjunta de Portugal e Espanha, o objetivo desta união é “fortalecer a posição de ambos os países e do sul da Europa no âmbito do desenvolvimento digital e da inteligência artificial”.

“Esta colaboração procura aproveitar as capacidades complementares de ambos os países, promovendo sinergias entre os setores público e privado, bem como a troca de conhecimento e experiência tecnológica”, é também referido.

Para os dois primeiros-ministros, a manutenção do referido “quadro flexível” permite “adaptar a estratégia aos requisitos da Comissão Europeia, para reforçar o posicionamento” desta candidatura. Recorde-se que, no ano passado, numa consulta informal ao mercado, a Comissão Europeia recebeu 76 manifestações de interesse de consórcios interessados em concorrer ao programa das gigafábricas de IA, grandes centros de dados equipados com tecnologia de ponta para treinar algoritmos.

Não será a primeira vez que Portugal une esforços com Espanha na área da supercomputação. O país participa na fábrica de IA que está instalada em Barcelona, uma infraestrutura com menor capacidade do que o previsto para a gigafábrica.

Contactada, fonte oficial do Banco de Fomento remeteu explicações para o Governo. O ECO contactou também fonte oficial do Ministério da Reforma do Estado, que não quis comentar.

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