Transportadoras pedem apoios para travar aumentos de preços

“Perante a possibilidade de um aumento de 15% nos preços do diesel, não há outra forma de sobreviver se não for repercutindo nos clientes este aumento”, diz André Matias da ANTRAM.

As associações de transportes querem que o Executivo encontre uma solução para as empresas do setor. Com o diesel a pesar 30 a 40% na estrutura de custos, perante o disparar dos preços, a solução será repercutir os aumentos no preços das tarifas ou tentar negociar um apoio extraordinário com o Governo. Os contactos já foram iniciados.

Para a próxima semana, com a escalada prevista de 23,4 cêntimos nos preços do gasóleo, nas contas do Executivo, o Governo decidiu aplicar uma taxa de desconto temporário extraordinário de 3,55 cêntimos no ISP deste combustível. Assim, em vez de pagar 0,36 cêntimos por litro de ISP, passará a pagar 0,32 cêntimos, o que se traduz numa subida do combustível mais usado em Portugal de 19 cêntimos. Não há apoios para a gasolina.

Mas esta medida, que já foi usada no passado, “impacta zero na indústria das transportadoras”, disse ao ECO André Matias da ANTRAM, a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias. “Perante a possibilidade de um aumento de 15% nos preços do diesel, não há outra forma de sobreviver se não for repercutindo nos clientes este aumento”, acrescentou, recusando, contudo que isso se traduza num aumento equivalente do cabaz alimentar.

O aumento das tarifas das transportadoras pode não ser imediato em todos os casos, mas “será rápido” porque estas empresas também foram afetadas pelo comboio de depressões que se abateu sobre o país em fevereiro e já têm uma folha salarial muito mais elevada na sequência do acordo estabelecido em 2019 para pôr fim às greves que obrigou a aplicar a todos os salários aumentos percentuais equivalente à percentagem de aumento do salário mínimo, explicou o responsável.

Para o evitar, a associação “está em contacto com o Governo”, ou seja o Ministério das Infraestruturas, confirmou André Matias, dizendo que existe a “expectativa de que haja sensibilidade para salvaguardar a situação empresarial”.

A Associação Nacional de Transportes de Passageiros (Antrop) também já pediu uma reunião com o Executivo para tentar encontrar “uma solução transitória” para as transportadoras públicas e privadas enfrentarem o aumento dos preços do diesel que não pode ser repercutido aos clientes, porque o preços dos transportes está tabelado.

“Estamos preocupados com a situação pelo peso dos combustíveis nos custos operacionais das empresas – 30% são despesas com combustíveis”, disse Luís Cabaço Martins, em entrevista à RTP, acrescentando que já solicitou uma reunião ao Ministério das Infraestruturas que tutela o setor.

Ora, as empresas de transportes públicos têm a maior parte da frota movida a gasóleo – apenas de 10% dos veículos são elétricos. Por isso, Cabaço Martins espera que seja possível “encontrar uma solução transitória” de “apoio financeiro do Estado”.

“Sendo a situação previsivelmente duradoura, para as empresas não ficarem estranguladas dos pondo de vista financeiro era importante que o Governo pudesse ter uma solução transitória”, disse o responsável.

“O desconto de 3,55 cêntimos no ISP que o Governo anunciou não é suficiente para garantir o equilíbrio económico e financeiro destas empresas, se esta situação se prolongar no tempo”, disse o presidente da Antrop, recordando que quer as empresas privadas quer as públicas não podem fazer refletir no preço dos títulos de transportes estes aumentos, sendo obrigado por isso a absorvê-los.

Confiante de que será ouvido, Cabaço Martins defende um “olhar equilibrado e de bom senso” para que as empresas de transportes públicos não sejam asfixiadas financeiramente.

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