Construção faz disparar pedidos para entrada de imigrantes através da “via verde”
Até terça-feira, 211 pedidos de visto tinham sido encaminhados pela CPCI para a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, abrangendo 1.427 trabalhadores para a construção.
Perto de completar um ano desde que entrou em vigor, os processos de contratação submetidos ao abrigo da chamada ‘via verde’ para a imigração “duplicaram” só nos últimos três meses, assim como o número de imigrantes para quem foi requerido visto, segundo revelou ao Expresso (acesso pago) o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), acrescentando que, a estes, se juntam “os muitos pedidos que se encontram em preparação e que são o triplo em relação a novembro”.
Até à última terça-feira, dia 3 de março, a CPCI tinha recebido e encaminhado 211 processos de pedidos de visto para a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, a maioria de natureza grupal, que abrangem 1.427 trabalhadores para a construção. Com processos em preparação encontram-se mais 259 imigrantes. “O fluxo começou lento, mas as empresas estão claramente a demonstrar interesse”, salienta Manuel Reis Campos. Segundo este responsável, grande parte destes imigrantes já está a trabalhar em obras em Portugal, provenientes, sobretudo, da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique, mas também do Brasil, Colômbia, Peru, Marrocos, Senegal, Paquistão e Índia.
Entre as entidades que já recorreram à ‘via verde’ estão grandes construtoras, como a Mota-Engil, a Casais ou a DST. Os números de trabalhadores imigrantes, ainda que ascendentes, chocam com a carência de 80 mil trabalhadores no setor, estimativa feita pelo também presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacionais (AICCOPN), sobretudo numa altura em que ganhou uma pressão extra com a necessidade de reerguer a zona centro, atingida pela tempestade Kristin. “É verdade que falta mão-de-obra, mas acredito que este canal será suficiente se se mantiver no ritmo atual. Além do mais, temos 1,5 milhões de imigrantes no país, podemos apostar na sua formação, atraí-los para a profissão”, assinala.
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