Crescimento abranda no primeiro trimestre. Conflito no Médio Oriente ameaça economia portuguesa

O impacto das tempestades na indústria e na agropecuária, somado ao conflito no Médio Oriente, deverá traduzir-se num abrandamento económico, segundo o barómetro CIP/ISEG.

ECO Fast
  • O crescimento da economia portuguesa deverá abrandar no primeiro trimestre de 2026, devido a fenómenos climáticos extremos e tensões geopolíticas no Médio Oriente.
  • O barómetro CIP/ISEG prevê um crescimento entre 1,8% e 2,2% para o ano, com uma desaceleração notável nos setores da produção industrial e serviços.
  • A CIP alerta para a necessidade de medidas de apoio às empresas afetadas pelo aumento dos custos energéticos, caso a escalada do conflito persista.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O crescimento da economia portuguesa deverá abrandar no primeiro trimestre do ano, penalizado, sobretudo, pelos fenómenos climáticos extremos e pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, segundo as projeções do barómetro CIP/ISEG, divulgadas esta sexta-feira.

Os resultados mostram “um desempenho mais modesto da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2026, sendo inevitável o abrandamento do crescimento em cadeia do PIB face aos 0,9% registados no último trimestre do ano passado”. Para o conjunto do ano, a previsão aponta para “um crescimento da economia portuguesa entre 1,8% e 2,2%”.

“À tendência de moderação de atividade nos setores da produção industrial, nos serviços e no retalho que vem sendo observada desde novembro, acresce o impacto da interrupção de atividade num número significativo de indústrias e explorações agropecuárias afetadas pelos eventos climáticos extremos que assolaram o território de Portugal”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

Em contrapartida, a Confederação Empresarial de Portugal destaca a “evolução muito positiva do mercado de trabalho e a execução dos fundos do PRR deverão continuar a sustentar a procura interna neste trimestre”.

Entre os fatores que contribuíram para estancar uma performance mais pessimista da economia, embora limitados, para já, a janeiro, estão o “crescimento homólogo nas vendas de automóveis ligeiros de passageiros (16,1%), ligeiros de mercadorias (5,6%)”, e “o acréscimo de 5,9% no consumo homólogo de eletricidade (REN)”. Em sentido contrário, a análise destaca que a “produção de automóveis ligeiros de passageiros caiu, em janeiro, 10,9% face a igual período de 2025″.

O barómetro indica ainda que “embora a destruição de capital afete diretamente o stock produtivo da economia (e não o PIB, enquanto variável de fluxo), a interrupção de atividade num número significativo de indústrias e explorações agropecuárias, traduzir-se-á inevitavelmente num abrandamento do crescimento em cadeia do produto no 1º trimestre de 2026. Em paralelo, a tendência de moderação de atividade nos setores da produção industrial, nos serviços e no retalho que vem sendo observada desde novembro e que se traduz na desaceleração do indicador CIP/ISEG, reforça a perspetiva de um desempenho mais modesto da economia portuguesa no 1º trimestre de 2026″.

Conflito no Médio Oriente faz disparar preços

O barómetro alerta para os reflexos imediatos que o conflito está a provocar, quer nos preços dos produtos petrolíferos, quer nos custos dos transportes à escala mundial, nomeadamente o transporte marítimo. O adensar significativo dos riscos geopolíticos leva a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) a alertar para o risco de uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás natural.

“Se a escalada prosseguir, será necessário tomar medidas de resposta com duas prioridades imediatas: apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo de custos energéticos; e medidas de caráter mais transversal que amorteçam o impacto da subida dos custos de produção e transporte nos preços no consumidor”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, citado em comunicado.

Se a escalada prosseguir, será necessário tomar medidas de resposta com duas prioridades imediatas: apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo de custos energéticos; e medidas de caráter mais transversal que amorteçam o impacto da subida dos custos de produção e transporte nos preços no consumidor.

Rafael Alves Rocha

Diretor-geral da CIP

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal já tinha adiantado ao ECO que os “efeitos já se estão a fazer sentir e o impacto na nossa economia será ainda mais negativo se o conflito perdurar, tendo em conta os impactos nos custos com a energia”. Armindo Monteiro sublinhou a existência de “mais vulnerabilidade” e que o “aumento dos preços do petróleo vão traduzir-se em custos de produção mais elevados”.

Perante um cenário de possível volatilidade, o primeiro-ministro admitiu que um dos impactos poderá ser o aumento do preço dos combustíveis. Caso a gasolina e o gasóleo registem uma subida superior a 10 cêntimos face ao valor desta semana, o Governo poderá introduzir “um desconto extraordinário e temporário do ISP”.

A Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Eléctrica (APIGCEE) recorda que “o conflito atual no Médio Oriente poderá potencialmente ter impactos significativos adversos na indústria portuguesa” e pede “eventuais medidas excecionais”.

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