Fitch mantém rating de Portugal mas melhora perspetiva para positiva

  • ECO
  • 6 Março 2026

Depois da S&P, também a Fitch decidiu melhorar o outlook da dívida soberana para positivo. Para este ano, a agência antecipa um défice de 0,8% do PIB mas confia na política "prudente" do Governo.

A agência norte-americana Fitch decidiu, esta sexta-feira, manter inalterado o rating de Portugal, mas melhorou a perspetiva (outlook) de estável para positiva. No espaço de um mês é a segunda agência a dar um sinal positivo para a notação da dívida soberana. No final de fevereiro, S&P também melhorou a perspetiva num movimento que antecipa, no futuro, uma nova subida do rating do país. A Fitch tinha revisto em alta a notação da dívida soberana, em setembro, de ‘A-‘ para ‘A’.

A confiança numa queda “firme” do rácio da dívida pública até 2029, assim como uma política orçamental “prudente”, justificam a decisão, de acordo com a nota de imprensa da agência. A economia deve crescer 2% este ano e desacelerar para 1,8% em 2027, estima a Fitch, com o consumo e o investimento a serem motores e a exportações líquidas um “entrave” devido aos riscos relacionados com as tarifas.

A Fitch estima que o excedente do país tenha ficado em 0,4% do PIB em 2025, à boleia de uma “receita fiscal superior ao esperado”. Já para este ano, a expectativa é de um regresso aos défices, de 0,8% do PIB, devido aos “gastos relacionados com as tempestades e a reconstrução”.

A “incerteza” em relação à dimensão desta despesa “introduz um risco adicional” para as finanças do país já pressionadas, segundo a Fitch, pelo “pico” dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e os cortes anunciados no IRS e IRC. Para 2027, a agência volta a prever um défice, na ordem dos 0,5% do PIB.

Quanto à dívida pública, a Fitch aponta para um rácio de 86,8% do PIB em 2027 “sustentado por excedentes primários e crescimento nominal moderado”.

Em comunicado enviado às redações, entretanto, o Ministério das Finanças indica que as “agências de rating continuam a demonstrar o seu otimismo” face aos país. “Esta é uma boa notícia para Portugal e para os portugueses, fruto do trabalho das famílias e das empresas, e reforça a necessidade de continuar a trabalhar para reduzir o peso da dívida do país e reforçar a resiliência da economia portuguesa”, refere o ministro Joaquim Miranda Sarmento, citado no comunicado.

Este ano arrancou com a agência canadiana, em janeiro, a manter inalterada a notação de Portugal, depois de subir um ano antes o rating para ‘A elevado’. Depois, no final de fevereiro, foi a vez da S&P melhorar o outlook para positivo.

Em 2025, a dívida portuguesa consolidou a nota ‘A’ nos mercados internacionais. Só a agência Moody’s decidiu não mexer nem na classificação, nem no outlook. A próxima revisão do rating do país, a segunda do ano pela DBRS, está agendada para 15 de maio.

 

(em atualização)

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