Guerra no Irão atira Brent para cima dos 93 dólares e marca melhor semana do “ouro negro” desde 2020

Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, analistas avisam que caso haja uma disrupção prolongada do fornecimento, preços do petróleo podem atingir novos máximos, superando os 150 dólares.

O encerramento quase total do Estreito de Ormuz, após o ataque ao Irão, acelerou a escalada dos preços do petróleo nas últimas cinco sessões, com a matéria-prima a preparar-se para fechar a melhor semana desde a pandemia de 2020. Brent chegou a superar a fasquia dos 93 dólares e os analistas antecipam que a escalada está longe de terminar.

O barril de Brent, negociado em Londres, fechou a última sessão a disparar 8,52% para 92,69 dólares, depois de ter chegado a superar a marca dos 93,09 dólares por barril. No acumulado da semana dispara cerca de 28%, a maior escalada desde maio de 2020, pleno pico da pandemia da covid-19, que determinou medidas de confinamento.

Já o West Texas Intermediate (WTI), transacionado em Nova Iorque, terminou a escalar 12,21% para 90,90 dólares por barril, mas também esteve a cotar acima dos 91 dólares durante a sessão. O crude fechou a semana com um ganho de cerca de 35%, o maior salto desde abril de 2020.

O fecho quase completo do Estreito de Ormuz, um importante canal por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido a nível global ameaça provocar um problema no abastecimento de crude. Com este canal fechado há sete dias, isso significa que cerca de 140 milhões de barris de petróleo — o equivalente a aproximadamente 1,4 dias da procura mundial — não conseguiram chegar ao mercado, calcula a Reuters.

Petróleo a caminho dos 150 dólares?

Com o conflito prestes a completar sete dias – os EUA e Israel lançaram os primeiros ataques ao Irão no passado sábado — , aumentam os receios de uma disrupção prolongada, o que poderá puxar pelos preços para novos máximos e afetar a economia global, bem como determinar um aumento da inflação e um novo ciclo de subida de juros.

O ministro da Energia do Qatar disse ao Financial Times, esta sexta-feira, que espera que todos os produtores de energia do Golfo suspendam as exportações dentro de poucas semanas, uma medida que, segundo afirmou, poderá fazer o preço do petróleo subir até aos 150 dólares por barril.

“A cada dia que o Estreito de Ormuz permanece fechado, os preços vão subir mais”, disse Giovanni Staunovo, analista de matérias-primas do UBS, citado pela Reuters. “A convicção no mercado era que Trump poderia recuar em algum momento, porque não quer preços do petróleo elevados, mas quanto mais isso demora, mais claro se torna o que está em risco”, avisa.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à Reuters, que não estava preocupado com o aumento dos preços da gasolina nos EUA devido ao conflito, afirmando: “se subirem, sobem”.

Um responsável da Casa Branca afirmou que se espera que o Departamento do Tesouro dos EUA anuncie medidas para combater a subida dos preços da energia provocada pelo conflito, uma perspetiva que fez os preços descerem brevemente mais de 1% na sexta-feira.

Em Portugal, com a escalada prevista de 23,4 cêntimos nos preços do gasóleo, nas contas do Executivo, Governo decidiu aplicar uma taxa de desconto temporário extraordinário de 3,55 cêntimos no ISP deste combustível.

(Notícia atualizada às 19h52 com os valores de fecho da sessão)

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