Indústria eólica capta ‘rajada’ de 45 mil milhões em 2025
Apesar do volume de investimento, a instalação de torres eólicas no mar está a enfrenta ventos contrários. A Wind Europe prevê que Portugal não deverá atingir as metas de energia eólica para 2030.
2025 foi um ano de crescimento para a energia eólica. Não só foi “plantada” nova capacidade, como foram lançadas sementes, mais precisamente 45 mil milhões de euros em investimento, para projetos que deverão erguer-se nos próximos anos. Já a instalação de torres eólicas no mar está a enfrentar ventos contrários, tendo crescido ao pior ritmo desde 2016, mas a associação da indústria espera uma “recuperação” este ano. Portugal não deverá atingir as metas a que se propôs para 2030.
Estas estatísticas e projeções são avançadas pela Wind Europe, a associação que representa o setor a nível europeu, no seu último relatório “Energia Eólica na Europa – estatísticas de 2025 e perspetivas para 2026 a 2030”.
A Europa instalou 19,1 GW de nova capacidade eólica em 2025, elevando a sua capacidade total para 304 GW. A Alemanha foi o país que construiu mais capacidade (5,2 GW), seguida pela Turquia (2,1 GW), Suécia (1,8 GW) e Espanha (1,6 GW). Em Portugal, a nova capacidade ficou-se pelos 5 megawatts, colocando a capacidade total nos 6 megawatts.
No mesmo ano, a Europa ligou à rede 2 GW de nova capacidade eólica offshore, que é o valor mais baixo desde 2016. A Wind Europe justifica este abrandamento com atrasos na construção, e diz esperar uma recuperação em 2026. Apenas três países ligaram novas turbinas offshore: o Reino Unido, a Alemanha e a França.
O capital angariado para novos projetos eólicos na Europa foi de 45 mil milhões de euros em 2025, quantia que serviu para financiar 20,9 GW de nova capacidade, a qual tem instalação programada para os próximos anos. Desta, 15,5 GW dizem respeito a energia eólica onshore e os restantes a energia eólica offshore.
Contudo, a Wind Europe espera que o total de instalações nos próximos anos ultrapasse em muito esta fasquia: aponta para a construção de 151 GW de nova energia eólica no período entre 2026 e 2030. “Mais de um terço desta expansão na União Europeia virá do florescente mercado onshore alemão”, afirma a associação.
Portugal atrás das metas
Nas projeções da Wind Europe, Portugal deverá adicionar 2,1 gigawatts (GW) de capacidade de energia eólica terrestre (onshore) ao longo dos próximos cinco anos, elevando a sua capacidade instalada acumulada para 8 GW em 2030. Este valor fica 2,4 GW aquém da meta definida pelo país na última revisão do Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030), que estabelece um objetivo de 10,4 GW. No mesmo plano o país prevê que em 2030 consiga atingir 2 gigawatts de capacidade offshore. A Wind Europe não prevê qualquer instalação neste eixo.
Apesar de a capacidade total em Portugal estar limitada a 6 gigawatts, o país é destacado no relatório por fazer parte do grupo de países nos quais a energia eólica satisfez, no mínimo, 20% da procura de eletricidade. Neste grupo cabem os Países Baixos (29%), Alemanha (28%), Finlândia (25%), Portugal (25%), Espanha (23%) e Grécia (21%). No cômputo geral, em 2025, a energia eólica forneceu 19% de toda a eletricidade consumida na União Europeia.
A atrapalhar estão redes, licenciamento e diplomas europeus
O relatório deteta três obstáculos à expansão da energia eólica. A Wind Europe elege como principal estrangulamento “a construção insuficiente de redes elétricas”, que criam filas de espera para ligação à rede, pelo que insta os Estados membros a agirem no âmbito do Pacote de Redes da União Europeia.
Em segundo lugar, acusa que “os governos não estão a fazer o suficiente para eletrificar a indústria, a mobilidade e o aquecimento”, e apela a que a União Europeia colmate também esta questão, focando-se em soluções de rápida implementação.
Os governos não estão a fazer o suficiente para eletrificar a indústria, a mobilidade e o aquecimento.
Por fim, é apontado o ‘vilão’ do costume: o licenciamento. Apesar de a Wind Europe considerar “excelentes” as medidas apresentadas pela UE para acelerar o licenciamento, ao abrigo da Diretiva de Energias Renováveis, “a maioria dos Estados-Membros está a arrastar os pés” e “estes atrasos são inaceitáveis” à luz do declínio da competitividade industrial, lê-se no comunicado que acompanha o estudo.
A associação mostra-se ainda preocupada com o risco de alterações a diplomas europeus, no sentido de os enfraquecer. “A indústria eólica europeia está à altura da tarefa. (…) Mas os políticos que ponderam interferir no desenho do mercado elétrico da UE e na arquitetura do ETS estão a minar diretamente estes investimentos. Alterar as regras do jogo agora seria dizer adeus à competitividade e à segurança energética”, afirma a CEO da WindEurope, Tinne van der Straeten.
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