Lucro do Novobanco acelera 11% para 828 milhões no ano da venda ao BPCE
Apesar da queda da margem, comissões, venda de dívida pública, recuperação de créditos, adicional de solidariedade e menos provisões dão resultado histórico ao banco liderado por Mark Bourke.
O Novobanco registou um lucro histórico de 828 milhões de euros no ano passado, mais 11% em relação ao anterior. Este desempenho foi conseguido mesmo com a queda da margem, que foi compensada com comissões, venda de dívida pública, recuperação de créditos, adicional de solidariedade e menos provisões.
Tudo isto no ano em que foi acordada a venda da instituição aos franceses do BPCE, por 6,4 mil milhões de euros, num negócio que será fechado até final de abril.
O banco refere-se a um payout de 60% dos resultados, o que significaria uma distribuição de 496,8 milhões de euros aos acionistas Lone Star e Estado, mas o processo de venda em curso deverá travar o pagamento de dividendos aos atuais acionistas.
Na mensagem que acompanha os resultados, o CEO Mark Bourke destaca o “avanço decisivo no processo de venda do banco” ao BPCE, “um passo estruturante para o nosso futuro, que permitirá potenciar escala, acelerar a inovação e reforçar o apoio ao tecido económico nacional”.
“Com estes resultados e com a integração, a curto prazo, num dos maiores grupos financeiros europeus, o Novobanco reforçará o seu compromisso de criar valor sustentável para clientes, colaboradores, investidores e para a economia portuguesa”, afirma.
O banco mostra-se aos novos donos franceses referindo que a rentabilidade dos capitais próprios supera os 20% e é um dos maiores entre os bancos europeus.
Descida da margem compensada
Com a descida das taxas por conta do alívio da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), a margem financeira caiu 7% para 1,1 mil milhões de euros. Ainda assim, o banco conseguiu compensar com um aumento das comissões em 9,5% para 353,6 milhões de euros.
Por outro lado, também viu os resultados com venda de títulos de dívida duplicarem para 42,2 milhões e o mesmo aconteceu com os outros resultados de exploração, que somaram 76,9 milhões, que “incluem ganhos com a recuperação de crédito e de processos de impostos (nomeadamente da Contribuição Adicional de Solidariedade) e resultados de imóveis”, adianta o banco em comunicado.
Os custos operativos praticamente estabilizaram nos 506,6 milhões de euros. Os custos com pessoal subiram quase 6% para 286,4 milhões num ano os quadros reduziram-se em 114 trabalhadores — o banco empregava 4.081 pessoas no final do ano passado. E tinha menos um balcão, com uma rede de 289 agências.
Adicionalmente, registou menos imparidades e provisões, fator que também deu uma ajuda ao aumento dos lucros. O banco colocou de lado 129,8 milhões, sobretudo para outros ativos e contingências e quase nada para crédito, menos 31,1% em relação ao ano anterior.
O Novobanco incluiu uma provisão de 15,3 milhões de euros relacionada com a tributação do património introduzida pelo Orçamento do Estado para 2021 e que, no futuro, ficará sujeita a alteração em caso de mudança de controlo — recorde-se que pelo facto de ter um acionista com sede num paraíso fiscal, o banco está sujeito a um regime de IMI mais gravoso, situação que deverá mudar com a venda ao grupo francês.
Crédito supera os 30 mil milhões
A nível da atividade o ano de 2025 também foi positivo para o Novobanco. Superou a marca dos 30 mil milhões de euros em crédito concedido à economia, mais 7,8% em relação a 2024. O crédito a empresas somou 5,1% para 14,6 mil milhões, mas foi no segmento de habitação que acelerou: cresceu quase 8% para 11 mil milhões.
Em relação aos efeitos do meu tempo, o banco adianta que já aprovou mais de 230 moratórias a famílias e empresas que correspondem a um valor de perto de 90 milhões de euros. A exposição às regiões afetadas atinge os 2,5 mil milhões.
Quanto aos depósitos, aumentaram 7,6% para 32 mil milhões de euros, “representando 68,1% do financiamento da atividade, refletindo a confiança dos clientes e a solidez do franchising do banco”.
O banco fechou o ano com um rácio de transformação de depósitos em crédito de 83,9%, mais 1 ponto percentual em relação a 2024. O rácio de capital common equity tier 1 atingiu os 19,9%, em linha com o ano anterior — ou 17,4% se considerar apenas 40% do resultado líquido obtido em 2025.
(Notícia atualizada às 07h44)
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