Lufthansa avança com proposta pela TAP e avalia escola de pilotos em Portugal

CEO da Lufthansa afirma que companhia portuguesa seria uma "combinação perfeita" para o grupo. Escola de pilotos pode vir para Portugal.

A Lufthansa considera que a aquisição da TAP seria uma “combinação perfeita” para o grupo alemão, confirmando a intenção de avançar com uma oferta não-vinculativa no processo de privatização. Portugal poderá ser também o destino de uma nova escola de pilotos.

“Queremos manter este processo porque a TAP seria uma combinação perfeita para nós”, afirmou o CEO, Carsten Spohr, em resposta a uma questão do ECO sobre se o grupo tenciona apresentar uma proposta não-vinculativa, que tem de ser entregue até dia 2 de abril. “Seria um complemento importante para o mercado brasileiro e para a nossa presença na América Latina”, acrescentou.

Estamos atualmente a construir uma unidade da Lufthansa Technik em Portugal. Estamos também a avaliar se a escola de pilotagem, que estamos a discutir em conjunto com a Força Aérea, poderá ficar localizada em Portugal.

Carsten Spohr

CEO do grupo Lufthansa

A presença em Portugal, onde o grupo tem em construção uma unidade da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, num investimento de 309 milhões de euros, poderá ainda ser reforçada.

“Portugal, enquanto tal, poderia tornar-se um parceiro estratégico muito relevante no setor da aviação, até porque estamos atualmente a construir uma unidade da Lufthansa Technik em Portugal. Estamos também a avaliar se a escola de pilotagem, que estamos a discutir em conjunto com a Força Aérea, poderá ficar localizada em Portugal“, relevou Carsten Spohr.

“Estes são três projetos entusiasmantes que demonstram a relevância estratégica de Portugal. E iremos prossegui-los”, acrescentou.

No âmbito da preparação da proposta não-vinculativa, os interessados nos 44,9% da TAP (a que acrescem 5% para os trabalhadores) reuniram com a administração da TAP, mas o CEO não quis comentar, nesta fase, os aspetos financeiros da empresa. “Em determinado momento, teremos de analisar quais serão as componentes financeiras para além da própria transação, mas ainda não estamos nessa fase. Naturalmente, conhecemos a empresa há muitos anos”, afirmou.

Oferta final dependerá do valor criado para os acionistas

Carsten Spohr salientou, no entanto, o que considera serem as vantagens da Lufthansa face aos outros interessados na companhia aérea portuguesa: Air France-KLM e IAG.

“Veja onde a Lufthansa tem os seus hubs e perceberá qual seria a posição única que Portugal poderia ter para nós. Os nossos concorrentes já têm uma forte presença no Atlântico Sul: alguns têm um hub em Madrid, outros em Paris, que ficam muito mais perto de Portugal. Isto significa que a ameaça para um hub em Portugal e em Lisboa seria muito maior — o que constitui mais um argumento a favor do Grupo Lufthansa”, disse. O CEO vê estes fatores também como uma vantagem para o grupo alemão quando a Comissão Europeia tiver de avaliar as implicações do negócio para a concorrência no setor. “A questão do direito da concorrência não é tão relevante para nós como é para os nossos concorrentes”, considerou.

Mesmo que esta transação seja estrategicamente interessante, só avançaremos com ela se também criar valor para os nossos acionistas. Isso depende dos custos e do preço a pagar.

Carsten Spohr

CEO do Grupo Lufthansa

O gestor confirmou a existência de contactos com o Governo português, mas sublinhou que uma decisão sobre a oferta final pela TAP dependerá da rentabilidade do negócio, um ponto também já focado pela IAG.

“Mesmo que esta transação seja estrategicamente interessante, só avançaremos com ela se também criar valor para os nossos acionistas. Isso depende dos custos e do preço a pagar. E, tal como disse o meu concorrente em Londres, isto também diz respeito aos acionistas, sendo ainda demasiado cedo para fazer qualquer declaração a esse respeito”, concluiu.

A Lufthansa transportou 135 milhões de passageiros no ano passado, mais 3% que em 2024, impulsionando na mesma medida as receitas de passageiros. As receitas totais do grupo cresceram 5%, para um novo recorde de 39.597 milhões. A área de engenharia e manutenção destacou-se com um crescimento de 12% no volume de negócios, enquanto na logística a melhoria foi de 4%.

O resultado operacional saltou 17% para 2.030 milhões de euros (19% em termos ajustados), mesmo com o agravamento de 4% nas despesas operacionais. A margem operacional melhorou cinco décimas para 4,9%. O grupo alemão terminou o ano passado com um resultado líquido de 1.339 milhões de euros, menos 3% que no ano anterior.

O conflito no Médio Oriente marcou a conferência de imprensa, com os responsáveis do grupo a apontarem como impactos negativos o cancelamento de voos e a subida do custo do jet fuel. Do lado positivo, a Lufthansa está a observar uma maior procura por voos para destinos na Ásia e África e também no transporte de carga.

Carsten Spohr afirmou que o grupo já está a aumentar a capacidade para a África e a Ásia, nomeadamente com mais voos para Banguecoque, transferindo aeronaves dos 10 destinos que foram cancelados no Médio Oriente. O administrador financeiro, Till Streichert, revelou que 81% do combustível a adquirir este ano tem cobertura.

(notícia atualizada às 11h com mais declarações do CEO do grupo Lufthansa)

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