BRANDS' CAPITAL VERDE O começo de um novo ciclo

  • Conteúdo Patrocinado
  • 6 Março 2026

Há mais de 30 anos, ninguém sabia o que era reciclar em Portugal. Em 1996, começou a estabelecer-se uma das mais profundas mudanças comportamentais no nosso País.

Acredito que vivemos numa aprendizagem contínua, seja porque é algo que nos é intrínseco, por querermos mais, melhor ou diferente, seja porque o contexto que nos rodeia assim o exige. A economia circular está a ganhar expressão em detrimento da linear e, em particular um dos seus R’s a reciclagem, é um exemplo claro. O momento não podia ser mais oportuno.

Há mais de 30 anos, ninguém sabia o que era reciclar em Portugal. Em 1996, começou a estabelecer-se uma das mais profundas mudanças comportamentais no nosso País com o início de atividade da Sociedade Ponto Verde. Foi assim possível aprender a valorizar os resíduos, reciclando-os via a rede de ecopontos amarelo, verde e azul que permitiu criar a noção de que as embalagens colocadas naquela rede podem ter uma segunda vida e assim não serem depositadas em aterro. A rotina do gesto de devolver as embalagens provou que sabemos evoluir quando existe visão, coordenação, infraestrutura e mobilização coletiva. Apesar da evolução, sabemos que o nosso país ainda tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito à reciclagem de embalagens.

Graça Borges, diretora de Comunicação, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Super Bock Group

Chegados a 2026, Portugal prepara-se para um novo ciclo de aprendizagem nesta mesma área, com a implementação do SDR (Sistema de Depósito e Reembolso), focado nas embalagens de bebidas de uso único, incluindo garrafas de plástico e latas, inferiores a 3 litros, que irão estar identificadas com a marca Volta, símbolo oficial da SDR Portugal.

Significa isto que as demais embalagens (cartão, papel, garrafas de vidro, etc.) continuam a ser colocadas nos respetivos ecopontos, mas as que são abrangidas pela aplicação do SDR (garrafas PET e Latas de bebidas) passam a ter de ser devolvidas vazias e intactas, às várias máquinas de recolha automática que irão existir no nosso país.

É o reconhecimento e validação de um valor económico associado a estas embalagens de bebidas no final do consumo e não um mero detalhe operacional. Uma evolução estrutural ao sistema existente, em que Portugal complementa a atual gestão de resíduos via ecopontos com outro onde há a clara valorização do gesto e dos recursos.

O SDR, pela via do seu modelo de funcionamento, reforça a importância da qualidade do material e da preservação do seu valor, criando um circuito fechado de “bottle-to-bottle” ou “can to can”. Um enorme potencial para aumentar a recolha e reciclagem de embalagens de bebidas de uso único, reduzindo o seu impacto no ambiente e contribuindo para o cumprimento das metas a que Portugal está vinculado (taxa de recolha de 90% a exemplo do verificado nos mais de 16 sistemas existentes na europa). Simultaneamente, introduz maior rastreabilidade e transparência no processo, e cria condições para estimular a inovação tecnológica, aumentar a competitividade e a previsibilidade das empresas, e, com tudo isto, impulsionar a economia nacional.

Mas quem é o grande ator deste sistema?

Além das empresas embaladoras e da entidade que irá gerir o sistema em Portugal, cabe, ao consumidor um papel crucial em todo este processo. Ao comprar uma garrafa de plástico ou uma lata abrangida pelo SDR saberá de imediato que há um valor associado (10 cêntimos de valor de depósito). Terá, por isso, de adotar um novo comportamento para estas embalagens de bebidas pois receberá de volta o valor se entregar as mesmas, vazias e intactas nos locais de recolha oficial.

Entenda-se que o valor do depósito não é um imposto nem uma taxa adicional, pois é totalmente devolvido ao consumidor quando a embalagem é entregue num ponto de recolha oficial. É um sinal económico claro de que “aquela” embalagem não é lixo, mas um recurso, num novo estímulo a uma maior participação na valorização dos resíduos e consequente aumento na quantidade e na qualidade da matéria reciclável.

Há, portanto, também algo de transformacional a acontecer este ano. Tal como nos anos 90 tivemos de aprender o que era reciclar, e a levar as nossas embalagens aos ecopontos, hoje somos chamados a dar um salto de maturidade, mantendo a responsabilidade individual como parte do nosso bem comum.

Num contexto europeu de metas ambientais cada vez mais exigentes, e de uma pressão sem precedentes sobre as matérias-primas, Portugal deve acelerar e continuar a dar passos concretos rumo à circularidade. A competitividade dos territórios também se mede hoje pela capacidade de fechar ciclos de materiais com eficiência, garantindo que o valor económico caminha lado a lado com a responsabilidade ambiental.

Por Graça Borges, diretora de Comunicação, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Super Bock Group

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

O começo de um novo ciclo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião