Obras do Space Hub Açores têm de arrancar até final de junho. “Estamos numa corrida contra o tempo”

Neste momento, estão já a ser preparados os concursos para a construção do Space Hub dos Açores, adianta Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa.

Com o voo inaugural do Space Rider previsto para 2028, as obras no Space Hub dos Açores têm de começar “no final do primeiro semestre”. “Estamos numa corrida contra o tempo”, admite Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, ao ECO/eRadar. “Neste momento, estamos a preparar os concursos para a construção”, diz.

O projeto vai receber um investimento de 15 milhões de euros da Agência Espacial Europeia. O Space Hub dos Açores foi o local escolhido para a aterragem do Space Rider, um veículo orbital europeu. É um dos passos para a consolidação da ilha de Santa Maria como um ponto de retorno de missões espaciais na Europa, área em que o continente é, claramente, deficitário, contribuindo para a soberania espacial da região.

Para isso, Ricardo Conde vê com otimismo a recente licença atribuída à empresa franco-alemã Atmos Space Cargo para a reentrada da sua cápsula Mission Phoenix 2.1, com lançamento previsto no segundo semestre deste ano, ao largo da ilha açoriana. “Isto nunca foi feito na Europa, vai ser a primeira vez numa licença de reentrada controlada”, destaca o presidente da Agência Espacial Portuguesa.

“É nessa base que queremos construir o caminho para a construção do Space Hub em Santa Maria, de um ponto de retorno de missões. É um pioneirismo. A licença também representa isso e marca a agenda de uma cadência que vai acontecer nos próximos anos”, aponta. E explica porquê. “Juntar-se-ão outras missões de outros operadores. Ou seja, abre aqui esta porta…”, diz sem revelar nomes.

Uma dessas missões é a reentrada do veículo espacial europeu Space Rider. “Isto veio-se juntar a um conjunto de iniciativas para tornarmos o nosso país, em particular nos Açores e Santa Maria, um nó, um centro de reentrada das missões espaciais”, destaca o responsável.

E central nessa ambição é o Space Hub. O mesmo tem três vetores essenciais: o landing site (a zona de aterragem) para o Space Rider, o Centro Tecnológico e uma parte relacionada com as operações, a ground station, descreve Ricardo Conde. Para esta última, para as antenas, que vão permitir monitorizar a atividade dos veículos espaciais, já foi aberto concurso pela Agência Espacial Europeia.

Foi ganho por um consórcio internacional, com equipas portuguesas, em que operador Safran, e também a Thales, estão lá”, adianta. A Thales já opera o Teleporto de Santa Maria. “Agora estamos no processo de submeter a licença para a construção do edifício, onde esse projeto das antenas e tudo vai ser instalado”, adianta.

Estamos a colocar toda a nossa energia para termos contratos e começarmos a construção do Space Hub este ano. Vamos ter mesmo que começar este ano para, obviamente, respeitarmos os prazos [da missão do Space Rider]. Aliás, tem que começar no final primeiro semestre as obras. Estamos aqui numa corrida contra o tempo.

Ricardo Conde

Presidente da Agência Espacial Portuguesa

Quanto à construção dos edifícios e local de aterragem, “neste momento, estamos a preparar os concursos para a construção. É um desafio. Não só porque a construção é feita nos Açores, mas porque há, neste momento, uma pressão muito grande sobre tudo o que é indústria de construção”, reconhece.

“Não posso, neste momento, dar pormenores, mas estamos a colocar toda a nossa energia para termos contratos e começarmos a construção este ano”, diz. “Vamos ter mesmo que começar este ano para, obviamente, respeitarmos os prazos”, Aliás, “tem que começar no final primeiro semestre as obras. Estamos aqui numa corrida contra o tempo”, reconhece.

A construção do “centro e o landing site queremos que seja em paralelo, é o que estamos a tentar fazer”, diz. “Isto também está a ser coordenado com a Agência Espacial Europeia. É extremamente importante esta coordenação, até para alinhar isto tudo com os timings da missão do Space Rider“, justifica.

Santa Maria: o local do futuro Space Port da Força Aérea

Na ilha, a Força Aérea Portuguesa está igualmente a planear, em infraestruturas próprias perto do aeroporto, a criação de um centro de lançamento de foguetões, o “Santa Maria Space Port”, como adiantou o coronel Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, ao ECO/eRadar. Um projeto de 15 milhões, financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Como os dois projetos vão coexistir? “Tem que haver coordenação, não é? Tem que haver coordenação e sinergias. É algo que tem que empenhar os próprios atores. São dinâmicas diferentes, mas no fundo não é mais do que aquilo que estamos a fazer no centro tecnológico, que é criar as infraestruturas para depois haver partilha de infraestrutura”, comenta Ricardo Conde.

Mas tem havido conversas com a Força Aérea? “As dinâmicas são muito próprias. Nós respeitamos os espaços, deve ser assim. As instituições têm essas funções. Mas depois, enfim, no terreno tem que haver esta coordenação de esforços porque ninguém pretende que uns projetos se sobreponham ou se invalidem uns aos outros”, diz.

“Temos que ter aqui, se calhar, o melhor entendimento de como é que fazemos esta coordenação. E penso que, naturalmente, isso vai acontecer. Temos de ter aqui as condições para haver esta coordenação. No interesse de todos, inclusive também da defesa”, argumenta.

“Agora, penso que estamos em presença de excelentes notícias. Agora temos que gerir a abundância, não é? Primeiro gerimos a escassez, depois gerimos a abundância”, sintetiza.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Obras do Space Hub Açores têm de arrancar até final de junho. “Estamos numa corrida contra o tempo”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião