OPA da Bondalti. Analista diz que vender é “mais prudente”. Sem oferta, ações podem corrigir até 30%
Com setor a atravessar uma crise profunda, Lighthouse diz que aceitar a oferta é a melhor opção para os acionistas. Sobre preço, reconhecem que OPA avalia Ercros acima dos múltiplos do setor.
Os acionistas da Ercros têm mais uma semana para decidir se aceitam os 3,505 euros oferecidos pela oferta pública de aquisição (OPA) da Bondalti sobre a totalidade do capital da gigante espanhola. Com a química do país vizinho a ultrapassar um período conturbado, a Lighthouse – Instituto Español de Analistas, um dos dois bancos de investimento que seguem a empresa, reconhece que a escolha “menos má” para os acionistas é vender na OPA, sob pena de assistirem a uma correção das ações entre 25% e 30%.
Os acionistas da Ercros enfrentam “um dilema verdadeiramente espinhoso”, reconhece a Lighthouse numa análise à OPA, que se encontra na fase final — o período de aceitação termina dentro de uma semana, no dia 13 de março. Para a equipa de analistas, liderada por Alfredo Echevarría Otegui, “embora nenhuma das opções seja ideal para o acionista, a escolha ‘menos má’ é aceitar a oferta, evitando assim uma previsível queda do preço da ação“.
Na ausência da oferta da Bondalti, ou caso esta seja retirada, não se pode excluir uma correção de preços para convergir com o desempenho do setor. Isso implicaria um ajustamento entre -25% e -30% face aos preços atuais (3,23 euros por ação).
“Na ausência da oferta da Bondalti, ou caso esta seja retirada, não se pode excluir uma correção de preços para convergir com o desempenho do setor. Isso implicaria um ajustamento entre -25% e -30% face aos preços atuais (3,23 euros por ação)”, avisam os especialistas, num relatório publicado depois de a empresa espanhola ter divulgado, no final da semana passada, que agravou em mais de 4,5 vezes os prejuízos em 2025, terminando o ano com um resultado líquido negativo de 53,6 milhões de euros.
Os analistas referem que “o aspeto mais crítico deste dilema é a forte deterioração que o setor sofreu nos últimos dois anos, a total falta de visibilidade quanto a uma recuperação (que não antecipamos antes de 2028) e, mais significativamente, a possibilidade — embora não a certeza — de que a indústria química europeia enfrenta uma perda estrutural de rentabilidade”.
Estimativas apontam para mais um ano “fraco”
“Após três anos de fraqueza (2023–2025), as expectativas continuam a apontar para uma recuperação gradual, embora a visibilidade permaneça limitada no curto e médio prazo (2026–2027)”.
Face a esta conjuntura, a equipa de analistas nota que o preço da oferta implica múltiplos de cerca de 26 vezes as estimativas EV/EBITDA para 2026 e 15 vezes para 2027, o que compara com rácios de 6,7 vezes e 6 vezes, respetivamente, face ao setor europeu. “A oferta avalia o negócio da Ercros acima dos múltiplos atuais do setor, reforçando a ideia que, na ausência da oferta, o preço da ação tenderia provavelmente a convergir para níveis mais alinhados com os das empresas comparáveis do setor“, refere a análise.
Os especialistas destacam ainda que é importante lembrar que “o preço da oferta definido há dois anos (que a Bondalti não ajustou) não pode ser avaliado hoje pelos mesmos critérios de então. Em março de 2024, existia a expectativa de uma saída rápida do vale cíclico e a perceção de um setor mais rentável. Dois anos depois, o contexto mudou radicalmente; por isso, a perspetiva sobre o preço da oferta também deve mudar”, um facto que os investidores “não podem ignorar”.
O preço da oferta definido há dois anos (que a Bondalti não ajustou) não pode ser avaliado hoje pelos mesmos critérios de então. Em março de 2024, existia a expectativa de uma saída rápida do vale cíclico e a perceção de um setor mais rentável. Dois anos depois, o contexto mudou radicalmente; por isso, a perspetiva sobre o preço da oferta também deve mudar.
Face a tudo isto, a Lighthouse argumenta que aceitar a oferta é aproveitar uma oportunidade para vender a um “preço razoável”, evitando “que a oferta seja retirada e impeça uma possível queda do preço da ação de até -30%, o que faria com que a ação voltasse ao “ponto de partida” (preço pré-aquisição de 2,56 €/ação)”.
Dito isto, “rejeitar a oferta não é uma posição indefensável, desde que se reconheçam e aceitem os “custos” significativos envolvidos (o mais evidente sendo o provável regresso do preço da ação aos níveis anteriores à oferta de aquisição)”, remata a equipa de analistas.
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