Prada cresce em 2025 e pode agradecer aos jovens da Miu Miu. Versace será levada com “paciência”

Lina Santos, Lusa,

Pelo segundo ano consecutivo, é a marca dirigida ao público mais jovem que alavanca os resultados do grupo italiano. Com aquisição da Versace, a dívida da Prada é agora de 466 milhões.

Prada

O lucro da Prada subiu 2% em 2025 para 852 milhões de euros, uma subida modesta que o CEO do grupo quis suavizar logo no arranque da apresentação dos resultados esta quinta-feira. “2025 foi um ano desafiante na nossa indústria. Nos últimos três, quatro anos, a indústria perdeu um cliente em cada cinco e o grupo Prada manteve-se sólido. Mantivemos a Prada no breakeven. O volume de negócios aumentou 5% para 5,7 mil milhões de euros, devido principal ao desempenho da marca Miu Miu. O grupo propôs dividendos de 0,166 euros por ação.

A aquisição formal da Versace, no final de 2025, por 1,25 mil milhões, será o grande desafio do grupo italiano em 2026. A empresa registou um volume de negócios de apenas 684 milhões de euros em 2025 e as suas contas ficaram no vermelho ao longo do ano, de acordo com a Prada. Andrea Guerra prometeu “paciência” enquanto reformulam a marca fundada por Gianni Versace. Além da nomeação para diretor criativo de Pieter Mulier, que começará o seu trabalho em julho e apresentará a primeira coleção em janeiro de 2027, o grupo Prada anunciou que vão descontinuar sub-marcas da Versace como Versace Jeans Couture.

“Em paralelo com a transição criativa, o reposicionamento gradual dos canais será uma prioridade estratégica central, com especial foco no reforço de vendas e distribuição de elevada qualidade a full-price, bem como na partilha de rotinas de retalho e de melhores práticas para elevar a execução nas lojas. O processo de integração está já bem avançado entre as diferentes áreas da organização, estando prevista a separação total da Capri Holdings na segunda metade de 2026″, detalha a Prada.

Andrea Guerra fez questão de arrefecer as expectativas de quem espera crescimentos da Versace, antecipando que será apenas de “um dígito, mas sólido”. A Versace deverá, assim, diluir a margem da Prada nos próximos meses, mas Andrea Guerra conta “retomar uma melhoria progressiva a partir do exercício de 2027”. Com a aquisição da Versace, a Prada está agora com uma dívida 466 milhões de euros.

O crescimento da Prada em 2025 baseia-se principalmente na sua marca Miu Miu, dirigida a clientes mais jovens. O crescimento da Miu Miu permaneceu sólido em 2025 (+35% de faturação), mas desacelerou em relação a 2024 (+93%), especialmente no último trimestre. A marca principal do grupo, a Prada, viu as suas vendas caírem 1% ao longo do ano, apesar de uma ligeira recuperação no último trimestre (+0,4%).

Esta é a distribuição das vendas do grupo Prada, por mercados:

  • Américas: +18%
  • Ásia-Pacífico: +11%
  • Europa: +5%
  • Japão: +3%
  • Médio Oriente: +15%

Os resultados no Médio Oriente rivalizam com os resultados no continente americano e mereceram uma referência por parte do CEO do grupo no início da apresentação de resultados. “Estamos aqui no meio de um turbilhão”, reconheceu Andrea Guerra. “Esperamos que seja curto, deixem-me dar uma palavra a todas as nossas pessoas na região“.

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