Ageas investe 18 milhões de euros em habitação no Porto. Renda acessível prevalece
Grupo Ageas investe 18 milhões de euros em 124 novas casas de renda acessível no Porto, que serão subarrendadas pelo município por um máximo de 20 anos. Somam-se 27 para venda no mercado livre.

Nos terrenos de uma antiga fábrica na freguesia de Campanhã serão construídas 124 casas de arrendamento acessível para famílias de classe média e outras 27 para venda no mercado imobiliário livre, num investimento de 18 milhões de euros do grupo Ageas Portugal. Este projeto “Build to Rent”, fruto de uma parceria entre a seguradora e a Câmara do Porto, poderá, no futuro, ser replicado noutros municípios, assegura o líder da Ageas, Luís Menezes.
O estaleiro de obras já está montado. As primeiras escavações no terreno e fundações já começaram bem antes do autarca do Porto, Pedro Duarte, e do gestor Luís Menezes se deslocarem esta sexta-feira à obra para assinalarem o lançamento da primeira pedra.
Seguem a bom ritmo os trabalhos do empreendimento “Jardins do Oriente”, o “primeiro grande projeto Build to Rent do país”, como o descrevem os dois responsáveis. Os contentores, gruas, camiões e restante maquinaria, distribuídos pelo terreno ainda em terra batida, espelhavam já intensos dias de trabalho no estaleiro. O pontapé de saída deste arranque oficial da obra foi dado por Pedro Duarte, ao “descerrar” uma placa onde se podia ler “Cerimónia de lançamento da 1.ª pedra do projeto Jardins do Oriente […]”.
O objetivo [do município] é quadruplicar a oferta de habitação acessível no Porto até 2029.
Dentro de dois anos, um total de 124 casas das 151 em construção na Rua de Bernardim Ribeiro deverão estar habitadas por agregados familiares de classe média, no âmbito do programa de arrendamento acessível da Câmara do Porto. Famílias que se veem a braços com a dificuldade em pagar os atuais preços praticados no concelho (e na generalidade dos limítrofes) devido à especulação imobiliária. Com tipologias entre T0 e T3, as rendas mensais destas casas deverão situar-se entre os 525 euros e os 950 euros.
Alicerçado em “preços compatíveis com os rendimentos das famílias” de classe média, este modelo chama os privados a participar na estratégia do município para ajudar a “responder aos problemas de habitação [face] ao atual desequilíbrio entre a procura e a oferta” no mercado imobiliário, como sublinhou o autarca. No caso da Invicta, esta parceria público-privada implica a disponibilização dos fogos para arrendamento acessível pelo período de dez anos, com possibilidade de renovação por mais uma década.
“O Porto mostra, assim, que é possível responder aos desafios da habitação com ambição e pensamento estratégico”, enfatizou, adiantando que “o objetivo [do município] é quadruplicar a oferta de habitação acessível no Porto até 2029“.
Além de reforçar a oferta municipal de arrendamento acessível, este projeto contribui para requalificar a zona oriental, muitas vezes apelidada de “parente pobre” da cidade. “Para nós, é fundamental tornar mais aprazível e harmoniosa a paisagem urbana do Porto, sendo Campanhã uma prioridade na regeneração urbanística da cidade”, vincou Pedro Duarte, diante de elementos do Executivo e colaboradores da seguradora e da Garcia Garcia, encarregue pela construção da obra.
Para o autarca, “é muito importante que a zona de Campanhã seja habitada, nomeadamente pela classe média e por classes mais jovens”.

Há mais municípios interessados em replicar o modelo
Luís Menezes, CEO da seguradora, adiantou ao ECO/LOcal que já foi contactado por vários municípios do país interessados no modelo de parceria. Contudo, o ex-deputado social-democrata não revela que autarquias são estas que procuram replicar o modelo “Build to Rent” aqui implementado. Luís Menezes assegura que está aberto a “fazer mais parcerias deste género”, vincando que o projeto do Porto “poderá ser replicado, se houver vontade, terrenos, parceiros e projetos que possam ter as rentabilidades mínimas necessárias”.
“A área das rendas acessíveis é um dos pilares da companhia, que está no nosso DNA [e por isso], será certamente uma área onde vamos continuar a investir, e onde, quer os municípios, quer outras entidades públicas, e o Governo também, terão uma enorme palavra a dizer”, frisou.
O responsável defendeu, por isso, que “o setor segurador deve ter um papel muito importante em todo este processo, que é um desígnio nacional, de acelerar uma maior construção de parque habitacional, quer para venda, quer para rendas acessíveis, como é o caso deste projeto”. Referiu ainda que “estes investimentos serão sempre de longa duração”.
O setor segurador deve ter um papel muito importante em todo este processo, que é um desígnio nacional, de acelerar uma maior construção de parque habitacional, quer para venda, quer para rendas acessíveis.
Segundo o líder do grupo Ageas Portugal, este empreendimento, que está a arrancar no Porto, “significa que o setor segurador é um investidor natural” nesta área. “Nós vamos investir na área das rendas acessíveis e da habitação acessível, porque faz sentido para o papel que temos de ter perante os nossos clientes, mas também do ponto de vista social e de sustentabilidade”, reiterou Luís Menezes.
O responsável não tem dúvidas de que este projeto, cujos contactos remontam ao mandato do anterior presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, é “inovador, com maior dimensão, até à data”.
Durante a cerimónia simbólica, ainda restou tempo para o autarca e o líder da seguradora mostrarem as suas habilidades ao manusearem uma pá de construção para acimentar a “pedra” onde depositaram uma “cápsula do tempo”. Esta servirá de testemunho para as próximas gerações do arranque oficial deste projeto, que apontam como “pioneiro” no país.

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