Nos quer todos os trabalhadores a usarem IA “o mais rapidamente possível”
Responsável de IA da Nos, Pedro Brandão, diz ao ECO que a empresa continua a investir em formação para capacitar todos os trabalhadores a usarem IA generativa no dia-a-dia.
A Nos iniciou, há alguns meses, um programa de formação direcionado à inteligência artificial (IA). O objetivo é tirar o máximo partido da IA no local de trabalho, respondendo a um desafio que se coloca tanto às empresas como aos trabalhadores: maximizar o potencial desta tecnologia para acelerar processos e aumentar a produtividade.
Ao ECO, Pedro Brandão, responsável de IA e Insight da Nos, explica que, na visão da empresa, “todas as funções têm a beneficiar de ferramentas de IA generativas e que é preciso criar as condições para que todas as pessoas as utilizem o mais rapidamente possível e com a melhor capacidade possível”. “Isso só é permitido com formações”, acrescenta.
Cada vez mais empresas recorrem a projetos de IA, mas muitos colaboradores não têm formação suficiente para acompanhar essa evolução, o que pode gerar subaproveitamento de recursos, conflitos de interesse ou até falhas. Ao mesmo tempo, o uso autónomo da IA sem conhecimento adequado pode levar à exposição de dados confidenciais.

“O nosso objetivo é a universalidade total e a democratização absoluta e esse é, talvez, o nome do meio desta tecnologia”, frisa Pedro Brandão. Ainda assim, o responsável da Nos admite que, “naturalmente, há verticais operacionais com mais aptidão e maior aplicabilidade para projetos de IA”, mas isso “não impede” que todos os colaboradores recebam formação.
Uma parte central da capacitação em ferramentas de IA na Nos é feita pela LTPlabs, empresa de consultoria responsável por formar os colaboradores. Até 2021, os esforços eram mais verticalizados, focados operação a operação, aproveitando tecnologias preditivas e de machine learning. Com o tempo, a empresa expandiu esta abordagem, incorporando também analítica prescritiva, criando níveis de competência significativos na forma de organizar processos de descoberta, desenvolvimento, atração e gestão de talento, além de envolver toda a organização na utilização estratégica da IA.
Em 2025, a LTPlabs em conjunto com a Nos lançaram o programa SCAILE, que eleva a inteligência artificial a eixo estratégico da operadora de telecomunicações. Segundo Pedro Amorim, partner da LTPlabs, o projeto alia capacitação, investimento e desenvolvimento organizacional, combinando competências técnicas e gerenciais para tornar os projetos de IA escaláveis e integrados. O objetivo é que a IA generativa deixe de ser apenas uma ferramenta técnica e se torne uma aliada estratégica em todos os níveis da empresa, fortalecendo a maturidade organizacional e os modelos operativos da Nos.
[A IA] deu a falsa sensação a muitas organizações de que poderiam utilizar a tecnologia sem antes dominar o processamento de dados, a organização da informação e a infraestrutura necessária para desenvolver estes projetos.
Pedro Amorim destaca que o programa SCAILE não se foca apenas nas competências técnicas, como machine learning ou data science, mas também na maturidade organizacional e nos modelos operativos da empresa. “É fundamental combinar conhecimento, operações e desenvolvimento técnico de forma escalável, para que a IA seja integrada de maneira estratégica e eficaz em todos os níveis da organização”, explica o responsável, sublinhando que a formação responsável é essencial para transformar a IA numa aliada do trabalho e não numa ameaça ao posto de cada colaborador.
O partner da LTPlabs, Pedro Amorim, afirma ainda que a IA “deu a falsa sensação a muitas organizações de que poderiam utilizar a tecnologia sem antes dominar o processamento de dados, a organização da informação e a infraestrutura necessária para desenvolver estes projetos”. Segundo o responsável, a Nos está a seguir o caminho correto, detalhando que o “modelo organizacional da Nos garante autonomia e uniformidade” na implementação e utilização da IA.
“Desde a comissão executiva da Nos até às terceiras linhas”, formação em IA chega a todos
A formação em IA está a ser implementada praticamente em toda a linha na Nos e, segundo o responsável da consultora LTPlabs, Pedro Amorim, os colaboradores da operadora estão a receber bem a tecnologia. “Com a IA e esta nova formação mais voltada para a GenAI, eu diria que a palavra de ordem é entusiasmo”, afirma. Amorim garante ainda que, na operadora de telecomunicações, “desde a comissão executiva da Nos até às segundas e terceiras linhas, onde existia curiosidade e pouca resistência”, todos recebem formação para a nova tecnologia.

A IA obriga as empresas a repensar suas estruturas operacionais, criando oportunidades para processos mais eficientes, experiências de cliente melhores e um ambiente de trabalho mais satisfatório. No entanto, Pedro Brandão alerta que, embora o conceito da IA seja atraente, a implementação é complexa. “Existem artigos e palestras que apontam que cerca de 80% dos projetos de transformação falham. É um número elevado e, provavelmente, um pouco exagerado, mas serve como alerta”, explica o responsável da Nos.
“Creio que muitas vezes este ponto [da IA eliminar empregos] é colocado em cima da mesa com excesso de rapidez. O nosso esforço devia estar mais alocado à tecnologia e à capacidade de construção da tecnologia”
Para Pedro Brandão, é essencial que as organizações se preparem para reduzir drasticamente essas taxas de insucesso. “Na Nos, forçamo-nos a bater dramaticamente essas probabilidades, estruturando processos, formando pessoas e criando modelos operativos que permitam transformar a IA numa ferramenta eficaz e escalável, em vez de apenas um conceito com risco elevado de fracasso”, afirma.
A adoção de IA levanta a frequente questão sobre uma possível redução da força de trabalho, mas, na visão do responsável da Nos, esse é um cenário exagerado. “Eu não acho isso. Acho que a estrutura de trabalho e a maneira como fazemos as coisas tenderá a alterar-se com o tempo”, explica Pedro Brandão. “Creio que muitas vezes este ponto é colocado em cima da mesa com excesso de rapidez. O nosso esforço devia estar mais alocado à tecnologia e à capacidade de construção da tecnologia”, defende Pedro Brandão. Ainda assim, a empresa levou a cabo um “plano de transformação” no ano passado para tornar o fluxo de trabalho mais ágil, e que também passou pela eliminação de lideranças intermédias.
O responsável de IA e Insight da Nos deixa ainda uma recomendação para que todos explorem ferramentas de IA diariamente. Segundo Pedro Brandão, é importante “dedicar tempo a conhecer estas novas soluções, enfrentando o desconhecimento com curiosidade e abertura. É um território de aprendizagem intenso: sentir o desconforto de não perceber algo e, ao mesmo tempo, a satisfação de conseguir fazer mais com estas ferramentas” finaliza.
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