Advocacia no feminino? Só um terço dos sócios são mulheres

Nas oito maiores sociedades de advogado portuguesas, apenas 36,25% dos sócios são mulheres. Dos 38.581 advogados contabilizados em Portugal em 2024, cerca de 57% são do sexo feminino.

Se na década de 90 as mulheres representavam apenas cerca de 25% dos advogados, atualmente o valor ultrapassa os 50%. Dos 38.581 advogados contabilizados em Portugal em 2024, cerca de 57% são do sexo feminino (21.976 advogadas), ou seja, a maioria. Será esta a realidade no que toca a posição de sócio? Não, segundo um apuramento realizado pela Advocatus.

Entre as oito maiores sociedades de advogados portuguesas, apenas 36,25% dos advogados no cargo de sócio são mulheres. Um número modesto, mais ainda assim um espelho da realidade atual.

No caso da Abreu Advogados, contabilizamos 84 sócios – que inclui os sócios contratados, honorários e locais -, dos quais 35 são mulheres, o que representa uma percentagem de cerca de 41,7%. Um número que apenas por duas sociedades em análise: a SRS Legal e a PRA – Raposo, Sá Miranda & Associados.

Por exemplo, na PRA, com cerca de 200 profissionais, apenas 34 são sócios. Ainda assim, 47% são mulheres. Ou seja, 16 mulheres para 18 homens sócios. Já na SRS, dos 35 sócios, 16 são do sexo feminino (45,7%).

No que toca às maiores sociedades de advogados portuguesas do país as percentagens variam entre os 23% e os 37%. A PLMJ, com 43 sócios, possui apenas 23% do sexo feminino, o valor mais baixo entre as oito firmas analisadas pela Advocatus. Por outro lado, a Morais Leitão tem 25 mulheres nesse posto, do total de 83 sócios, cerca de 30,1%.

No caso da Vieira de Almeida, que excluímos os sócios internacionais, uma vez que não implica necessariamente a condição de sócio da firma, existem 64 sócios, dos quais 24 mulheres (37,5%).

Entre as firmas analisadas está ainda a Miranda & Associados, em que a percentagem de mulheres sócias ronda os 32,3%, e a Sérvulo & Associados, com 35,1%.

E no cargo de managing partner? Apesar das mulheres já representarem a maioria dos advogados em Portugal, apenas cerca de meia dúzia de sociedades de advogados são atualmente lideradas por mulheres, como a Abreu Advogados (Inês Sequeira Mendes) e a Vieira de Almeida (Paula Gomes Freire).

Recorde-se que foi no ano de 2006 que pela primeira vez exerceram advocacia mais mulheres do que homens. Nesse ano contabilizaram-se 12.996 advogadas face aos 12.720 profissionais do sexo masculino. Desde então que o sexo feminino tem dominado a classe, com exceção do ano de 2008. Recorde-se que a advocacia esteve durante vários anos restringida às mulheres e só em 1918 é que viram assegurado o seu direito de acesso à profissão.

(Os dados foram recolhidos com base nos sites oficiais das sociedades de advogados em análise)

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