Dos salários ao subemprego, mulheres continuam a enfrentar dificuldades no mercado de trabalho
Mulheres já representam quase metade do volume total de emprego, mas persistem desafios, como a sobrequalificação e a desigualdade salarial face aos homens.
Quase metade dos postos de trabalho que compõem a economia portuguesa são já ocupados por mulheres, mas elas continuam a enfrentar dificuldades consideráveis no mercado laboral. Ganham menos 14,6% do que os homens, apenas 13,3% dos cargos de CEO são ocupados por mulheres e quase três em cada dez têm qualificações a mais para o emprego que desempenhem. Os dados são do CoLabor – Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social e são divulgados a propósito do Dia Internacional da Mulher.
“Persistem desigualdades de género no mercado de trabalho, sobretudo na qualidade do emprego, na remuneração, na valorização das qualificações e no acesso aos cargos de liderança”, lê-se nesse retrato estatístico agora publicado.
“Os progressos registados nas últimas décadas — evidentes na quase paridade no volume de emprego — coexistem ainda com desigualdades relevantes na forma como o mercado de trabalho valoriza as qualificações das mulheres e na sua progressão para posições de maior responsabilidade”, insiste o CoLabor.
Vamos a dados concretos, a começar pelas qualificações. No último ano, 32,6% das mulheres ativas tinham concluído no máximo o ensino secundário ou pós secundário e 41,2% tinham formação superior. Os níveis de escolaridade — que já são “superiores aos dos homens” — não se têm refletido, porém, plenamente em reconhecimento no mercado de trabalho.
Aliás, 28,4% das mulheres a trabalhar que têm o ensino superior têm qualificações a mais para as funções que exercem (estão em situação de sobrequalificação). Este fenómeno não é um exclusivo delas, mas, entre eles, a taxa é inferior em oito pontos percentuais.
Por outro lado, no que diz respeito aos rendimentos, o CoLabor destaca que as mulheres ganham, em média, menos 14,6% do que os homens, sendo que, entre as pessoas empregadas com o ensino superior concluído, a diferença aumenta para 26,2%. A boa notícia é que, face a 2023, o fosso salarial encolheu cerca de dez pontos percentuais, é indicado.
"As mulheres ganham, em média, menos 14,6% do que os homens. Entre pessoas trabalhadoras com ensino superior, a diferença aumenta para 26,2%.”
Já no que diz respeito à progressão na carreira, há a notar que as mulheres representam 65% da população subempregada e que apenas 28,5% das direções executivas das empresas são desempenhadas por mulheres. Olhando especificamente para a cadeira do ou da CEO, só 13,3% desses cargos são ocupados por mulheres.
Neste caso, a boa notícia é que a lei das quotas está a produzir (alguns) efeitos. “Nas empresas cotadas, a presença feminina nos conselhos de administração passou de 13,5% em 2015 para 35,8%“, realça o CoLabor.
Empregos dominados por elas

Os dados mostram também que ainda há empregos onde a participação feminina é dominante, havendo alguma “segmentação nas posições de liderança“.
De acordo com o retrato do CoLabor, cerca de nove em cada dez pessoas que dirigem serviços de apoio social e de cuidado são mulheres; E três quartos das direções de recursos humanos são ocupadas por elas.
A estes dados, a consultora de recursos humanos Randstad vem acrescentar, também a propósito do Dia da Mulher, que “o talento feminino apresenta uma concentração tradicional no setor da saúde e apoio social (16,5%) e na educação (12,9%), enquanto os homens dominam setores de maior peso tecnológico e produtivo, como a indústria (21,2%) e a construção (12,6%)”. “Esta segregação mostra que as barreiras e os estereótipos ainda limitam a diversidade e canalizam o talento para áreas distintas”, é salientado.
"No regime de trabalho a tempo parcial, as principais razões apontadas pelas mulheres são os “cuidados a adultos com deficiência ou crianças”, enquanto para os homens pesa mais a justificação de “educação ou formação”.”
Outro dado relevante diz respeito às assimetrias persistentes na gestão do tempo de trabalho. Dos trabalhadores em part-time, 62,9% são mulheres. “A proporção de mulheres a tempo parcial que têm crianças no agregado familiar é de 8,5%, valor que contrasta com os residuais 3,2% registados no lado masculino”, frisa a Randstad.
Aliás, no regime de trabalho a tempo parcial, as principais razões apontadas pelas mulheres são os “cuidados a adultos com deficiência ou crianças”, enquanto para os homens pesa mais a justificação de “educação ou formação”.
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