Portugueses confundem poupar com investir e perdem dinheiro

  • ECO
  • 8 Março 2026

A taxa de poupança das famílias está no nível mais alto em 20 anos, mas o dinheiro fica parado em depósitos que remuneram cada vez menos. ECO e KPMG promovem conferência Banking on Change

Há muitos anos que os portugueses não poupavam tanto como hoje. A taxa de poupança das famílias portuguesas atingiu 12,5% do rendimento disponível no terceiro trimestre de 2025, de acordo com os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se do nível mais elevado em mais de 20 anos e traduz uma mudança profunda no comportamento financeiro das famílias, mas que levanta uma questão central: onde está esse dinheiro a ser aplicado?

A resposta está, em grande medida, nos depósitos a prazo. No final do ano passado, o stock de depósitos das famílias nos bancos totalizava quase 201 mil milhões de euros, mais 8,3 mil milhões de euros do que no final de 2024, um recorde absoluto desde pelo menos 1979 (início da série do Banco de Portugal).

Ao mesmo tempo, as taxas de juro oferecidas pela banca para remunerar esta poupança continuam a cair. Segundo dados do Banco de Portugal, a taxa de juro de novos depósitos a prazo dos particulares fechou em janeiro nos 1,34%, o valor mais baixo desde maio de 2023, e com uma ampla distância face à média da Zona Euro (1,82%) que coloca Portugal como o quarto mercado com as taxas de juro dos depósitos mais baixas de toda a área do euro.

A maioria dos portugueses continua a confundir poupança com investimento. As famílias guardam as suas poupanças, mas não as investem, acumulam dinheiro, mas não o põem a trabalhar.

Atualmente, mais de metade do património financeiro das famílias portuguesas está concentrado em depósitos bancários e produtos similares de baixa remuneração. Em contrapartida, a adesão a instrumentos de investimento com maior potencial de retorno, como ações ou fundos de investimento, mantém-se abaixo da média europeia e bem distante dos números das famílias norte-americanas.

Estes números mostram que a maioria dos portugueses continua a confundir poupança com investimento. As famílias guardam as suas poupanças, mas não as investem, acumulam dinheiro, mas não o põem a trabalhar. E é por isso que Portugal é atualmente um dos países com mais dinheiro parado da Zona Euro e um dos piores no retorno das suas poupanças.

É neste contexto que o tema da poupança e do investimento das famílias chega ao centro do debate na conferência “Banking on Change“, organizada pelo ECO para o dia 11 de março, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Subordinado ao tema “Adaptar, Inovar e Liderar”, o evento reúne representantes do setor financeiro para discutir os desafios e as oportunidades da banca e do mercado de capitais em Portugal.

Quanto ao tema da poupança e do investimento, o debate estará a cargo de Miguel Maya, CEO do Millenium bcp, e de Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, e será moderado por António Costa, diretor do ECO.

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