Conflito no Médio Oriente trava envios de têxtil e faz subir custos do transporte aéreo

ECO,

O conflito no Médio Oriente está a provocar perturbações nas cadeias de abastecimento da indústria de 'fast fashion'. Vários voos de carga foram cancelados.

Fabricantes do Bangladesh e da Índia, ouvidos pela Reuters, admitiram que encomendas destinadas a retalhistas de grande dimensão como a Inditex, detentora da Zara, estão retidas em aeroportos como Daca, devido ao agudizar do conflito no Médio Oriente. Vários voos de carga foram cancelados, o que está a causar perturbações na cadeia de abastecimento.

Remessas de roupa estão acumuladas em aeroportos do Sul da Ásia, diz a Reuters. Companhias aéreas do Golfo, como Emirates e Qatar Airways, cancelaram voos após o encerramento de grande parte do espaço aéreo da região.

As marcas de fast fashion dependem fortemente da produção no sul da Ásia, um dos principais centros mundiais de produção de vestuário, salienta a Reuters, dando como exemplo a Inditex, que tinha em 2023 cerca de 150 fornecedores no Bangladesh, 122 na Índia e 69 no Paquistão.

Com o aeroporto do Dubai fechado ou com fortes restrições, muitas encomendas que deveriam seguir para a Europa ficaram bloqueadas. “Algumas consignações de vestuário estão presas no aeroporto de Daca”, disse à Reuters Shovon Islam, diretor-geral do fabricante Sparrow Group, que trabalha com clientes europeus como Inditex, M&S, Next e Primark.

Os fabricantes do Bangladesh estão “preocupados”. “Podemos estar perante outra grande crise”, alertou Mohammad Hatem, presidente da associação de fabricantes e exportadores de malhas do país.

O cancelamento de voos está a provocar uma forte subida nos custos logísticos, adianta ainda a Reuters, citando Alexander Nathani, da empresa indiana Kira Leder, que garante que os custos para enviar casacos de pele de Mumbai para a Áustria duplicaram.

As empresas de retalho recorrem sobretudo ao transporte marítimo, mas os envios aéreos são usados para responder com celeridade à procura do mercado. Esta combinação, diz a Reuters, faz pensar que os custos de transporte por mar também podem aumentar, caso o estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas globais, venha também a ser afetado pelo conflito.

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