Depois de escalar até máximos de 2022, petróleo volta a negociar abaixo dos 100 dólares

O petróleo registou a maior subida intradiária da sua história, com o preço do ouro negro a disparar até aos 119,50 dólares por barril, antes de aliviar parte destes ganhos, para perto dos 99 dólares.

Os mercados petrolíferos viveram uma verdadeira montanha-russa esta segunda-feira, voltando a fazer soar os alarmes dos investidores mundiais. Depois de ter saltado para valores de 2022, ao tocar nos 119,50 dólares, registando a maior subida intradiária de sempre, o barril de Brent encerrou a valorizar mais de 6,5%, a rondar os 99 dólares.

O Brent, negociado em Londres, fechou a subir 6,76% para 98,96 dólares por barril, enquanto o WTI ganhou 4,26% para 94,77 dólares por barril. Ganhos bastante contidos face aos valores que marcaram o início do dia: Brent atingiu um máximo diário nos 119,50 dólares, o maior aumento absoluto de preço num único dia, e o de WTI atingiu 119,48 dólares por barril.

A sustentar a escalada do petróleo estiveram as notícias de que a Arábia Saudita e outros membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) cortaram a sua produção devido aos constrangimentos gerados pelo conflito no Médio Oriente, que fechou quase totalmente o Estreito de Ormuz.

A subida dos preços da energia levou os ministros das Finanças do G7 a realizar uma reunião de emergência para discutir uma resposta à crise, admitindo a libertação de reservas estratégicas. Esta medida acabou por não ser aprovada, pelo menos para já, mas esta terça-feira é esperada uma nova discussão, desta vez entre os ministros das Energia deste restrito clube de países.

Foi precisamente após o G7 ter anunciado que iria realizar esta reunião e ter colocado em cima da mesa a possibilidade de libertar reservas que os preços começaram a aliviar.

“Desde que a reunião foi anunciada, o preço do Brent caiu quase 20 dólares e a maioria dos índices bolsistas recuperou de forma convincente durante a manhã. No entanto, esta intervenção poderá revelar-se insuficiente caso o conflito com o Irão se prolongue durante mais algumas semanas e o estreito de Ormuz continue condicionado”, comenta Henrique Valente, analista da ActivTradesEurope.

Não é apenas o petróleo que está a disparar devido ao conflito no Médio Oriente. Também o gás natural é o reflexo dos problemas na região. Desde o primeiro ataque dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, o preço spot do gás natural na Europa disparou 110%, com os contratos de futuros de primeiro vencimento no hub TTF a chegarem a negociar nos 69,5 euros por megawatt hora (MWh) esta segunda-feira, o valor mais alto desde janeiro de 2023.

Com os preços a dispararem têm crescido os receios em torno de um abrandamento da economia, acompanhado de uma subida da inflação, o que forçaria os bancos centrais a inverter o atual ciclo de descida de taxas de juros e a regressarem a uma tendência de subidas, para conter os preços.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Depois de escalar até máximos de 2022, petróleo volta a negociar abaixo dos 100 dólares

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião