Mercados já antecipam duas subidas de 25 pontos base das taxas de juro do BCE este ano
O fantasma de 2022 voltou aos mercados. Tal como na invasão da Ucrânia, um novo choque energético está a forçar uma revisão em alta das expectativas sobre a política monetária do BCE este ano.
O preço do Brent acima dos 100 dólares por barril e uma escalada de 30% no gás natural em apenas um dia estão a redesenhar as expectativas dos investidores para a política monetária europeia, que aponta já para duas subidas de 25 pontos base das taxas de juro do Banco Central Europeu ainda este ano.
A leitura faz-se através dos swaps de taxas de juro, contratos negociados em tempo real entre bancos e fundos, cuja taxa fixa sobe sempre que o mercado antecipa juros mais altos no futuro.
Neste momento, esses contratos acumulam uma diferença de cerca de 50 pontos base face à taxa atual do BCE, o equivalente exato a duas subidas de 25 pontos base. Na sexta-feira, esse valor era de apenas 25 pontos base, ou seja, uma subida. Em 48 horas, o mercado dobrou as suas apostas.
Os mercados já incorporarem totalmente duas subidas de 25 pontos base por parte do BCE este ano, e a primeira subida é agora dada como certa para julho, segundos os swaps de taxa de juro.
Em meados de dezembro, a presidente do BCE, Christine Lagarde, declarava que a inflação estava num “bom lugar”. Esta segunda-feira, os mercados contam uma história bem diferente, com os swaps de taxas de juro a incorporarem totalmente duas subidas de 25 pontos base por parte do BCE este ano. E a primeira subida é agora dada como certa para julho, segundo os dados dos mercados monetários.
O gatilho é o choque energético alimentado pelo conflito no Médio Oriente. O Brent para entrega em março chegou a negociar esta segunda-feira acima dos 100 dólares pela primeira vez desde outubro de 2022, enquanto o gás natural europeu disparou mais de 30%, depois de mais produtores da região cortarem produção e o Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial — continuar efetivamente encerrado.
As comparações com 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia fez disparar a inflação e obrigou o BCE a subidas agressivas de juros, estão a dominar a narrativa dos investidores.
A reação nos mercados de dívida foi imediata e violenta. A yield alemã a dois anos, a mais sensível às expectativas de política monetária, já escalou 33 pontos base desde os primeiros ataques dos EUA e Israel ao Irão, chegando inclusive a transacionar nos 2,47% esta segunda-feira, o valor mais elevado desde o verão de 2024.
Os títulos italianos também sofreram, com o diferencial face à Alemanha a alargar para cerca de 80 pontos base, num movimento típico de fuga para ativos mais seguros; e os swaps de inflação a dez anos na Europa subiram para 2,30%, o nível mais alto desde julho de 2024.
O dilema para os banqueiros centrais é real. “O BCE e o Banco de Inglaterra estão efetivamente paralisados: afrouxar a política monetária num choque petrolífero arrisca a credibilidade, apertar arrisca o crescimento”, afirmou Evelyne Gomez-Liechti, estratega do Mizuho International, à Bloomberg.
O BCE, o Banco de Inglaterra e a Reserva Federal norte-americana reúnem-se na próxima semana para mais uma reunião de política monetária, e os mercados não esperam qualquer movimento imediato. Mas a volatilidade instalou-se.
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