Petróleo começa o dia com aumento histórico de 27%. Barril chegou aos 117,65 dólares

Crude inicia a semana a registar o maior aumento de sempre, com Brent a disparar 27% no arranque da sessão. Países do G7 avaliam libertação de reservas para amparar o impacto.

ECO Fast
  • O preço do petróleo ultrapassou os 100 dólares por barril, o que não acontecia desde a invasão russa da Ucrânia, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente.
  • Os preços disparam 16,34% para 107,75 dólares, impulsionados pela operação militar dos EUA e de Israel contra o Irão, enquanto os maiores produtores da região cortam a produção.
  • O G7 irá discutir a libertação de reservas estratégicas de petróleo para conter a escalada dos preços, mas a duração do conflito continua a ser a principal incerteza.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O petróleo negoceia esta segunda-feira de manhã acima dos 100 dólares o barril em Londres e Nova Iorque, atingindo valores que não eram vistos há quatro anos, desde o início da invasão russa da Ucrânia. O disparo está relacionado com o agravamento do conflito no Médio Oriente e ameaça provocar ondas de choque por toda a economia mundial, através de um encarecimento dos combustíveis que pode durar semanas ou meses, alimentando a inflação.

Pelas 7h10 em Lisboa, o Brent, referência para as importações nacionais, disparava 16,34%, para 107,75 dólares, depois de terem chegado a disparar 27% no início do dia de negociações nos mercados asiáticos, para 117,65 dólares — o maior aumento de sempre do petróleo num só dia, segundo a Reuters. Simultaneamente, os futuros do norte-americano WTI somavam mais de 14%, para 107,73 dólares. Estiveram a subir mais de 31% no começo da sessão, para 119,48 dólares o barril.

Estes disparos históricos no petróleo são uma consequência direta da operação militar dos EUA e de Israel contra o Irão, num conflito que já se alastrou a todo o Médio Oriente. Os investidores estão particularmente preocupados com o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial: “A não ser que o petróleo volte a fluir pelo Estreito de Ormuz em breve e as tensões na região se aliviem, a pressão em alta nos preços vai provavelmente persistir”, diz Vasu Menon, diretor de estratégia de investimento da OCBC em Singapura, à Reuters.

A agravar o problema está o facto de os maiores produtores de petróleo do Médio Oriente estarem a cortar a produção por causa do conflito, como o Iraque e o Kuwait.

“Preço muito pequeno a pagar”, diz Trump

Segundo o presidente americano, Donald Trump, o disparo dos preços será de pouca duração. “Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a pagar pelos EUA, pelo mundo, pela segurança e pela paz”, escreveu na rede social Truth Social, antes de exclamar: “SÓ OS TOLOS PENSARIAM DE OUTRA FORMA! Presidente DJT”.

G7 discute libertar reservas

Perante as dificuldades, os países do G7 vão discutir esta segunda-feira, numa reunião de emergência, a possibilidade de uma libertação conjunta de petróleo das reservas em coordenação com a Agência Internacional de Energia (IEA), que poderá rondar os 300 a 400 milhões de barris, para aliviar a escalada dos preços. Segundo o Financial Times, 32 países da IEA têm reservas estratégicas de petróleo, num total de 1,2 mil milhões de barris. A reunião está marcada para as 8h30 em Nova Iorque.

“Veremos qual será o impacto disso, mas a duração e a intensidade do conflito continuarão sendo, de longe, o fator mais importante”, disseram analistas do Deutsche Bank, numa nota de research a que o ECO teve acesso.

Estes aumentos dos preços do petróleo somam à escalada de preços observada na semana passada por motivos não muito diferentes. Nessa altura, o avanço do barril para um valor perto dos 90 dólares já resultou num aumento em torno de 20 cêntimos do preço do litro do combustível em Portugal.

O anúncio deste disparo histórico nos preços desencadeou uma corrida às bombas em alguns pontos do país na tarde de sexta-feira e durante o fim de semana, mesmo depois de o Governo português ter decidido conceder um alívio fiscal de 3,55 cêntimos no gasóleo, por via da descida do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).

Ásia sente o ‘stress’

“Na sequência do disparo do preço do petróleo, estamos a assistir a um aumento do stress nos mercados asiáticos esta manhã“, afirmaram os analista do Deutsche Bank. As bolsas de Tóquio e de Seul fecharam em queda, pressionadas pela subida dos preços do petróleo e pelos maus resultados do setor tecnológico.

A maior bolsa do Japão terminou a sessão com o principal índice, o Nikkei, a cair 5,19%, para 52.728,72 pontos, enquanto em Seul, o índice Kospi recuou 5,96% para 5.251,87 pontos.

Novo líder supremo não agrada aos EUA

No fim de semana, o Irão escolheu o seu novo líder supremo, com a televisão estatal iraniana a anunciar domingo à noite que será Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá.

“Mojtaba é visto como alinhado com algumas das fações linha-dura dentro do Irão, notadamente a IRGC [Guarda Republicana]”, salientaram os analistas do Deutsche Bank. “Na semana passada, Trump disse que o considerava uma escolha inaceitável, sugerindo que precisa de aprovar o novo líder, ou eles «não vão durar muito tempo».

“Portanto, claramente, isso será algo que não agradará aos EUA e não sugere uma conclusão iminente”, concluiram.

(Notícia atualizada à 08h02, com mais informação e comentários)

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