Tabaqueira vai começar a vender bolsas de nicotina em Portugal este ano
A empresa, que vinha a pedir ao Governo a introdução da categoria fiscal de bolsas de nicotina e a sua regulamentação, vai passar a disponibilizar este produto em Portugal.
A Tabaqueira, a subsidiária portuguesa do gigante multinacional do tabaco Philip Morris International (PMI), vai começar a vender bolsas de nicotina este ano. A confirmação surge depois de o Governo ter incluído estes produtos, que já podem ser encontrados nos quiosques, na lista de produtos tabágicos e com nicotina que pagam imposto especial de consumo (IEC). Uma alteração que era aguardada pela empresa, que emprega cerca de 1.500 pessoas em Portugal, para passar a comercializar estes produtos no país.
Atualmente vendidas em tabacarias, as bolsas de nicotina – que não têm tabaco – passaram a ser incluídas, este ano, na lista de produtos tabágicos e com nicotina que pagam imposto especial de consumo (IEC). Uma alteração pela qual a empresa esperava para passar a comercializar este produto, que é uma derivação dos suecos snus, que ao contrário das bolsas de nicotina (extraída quimicamente de folhas do tabaco), têm tabaco.
Historicamente este produto, que se coloca na gengiva, surgiu na Suécia, onde conta com grande popularidade. Para permitir a entrada do país na União Europeia, Bruxelas concordou em dar uma exceção ao país para que este produto fosse considerado legal – é proibido nos restantes Estados-membros. Contudo, o mesmo não acontece com as bolsas de nicotina, uma variação dos tradicionais snus, que são permitidas na maioria dos países da UE.

“É um produto que ainda tem nicotina, mas é menos mau que o cigarro” e “vai ser lançado em Portugal”, explicou Patrik Hildingsson, vice-presidente de comunicação e assuntos públicos da sueca Swedish Match, que foi comprada pela PMI em 2019, num encontro com um grupo restrito de jornalistas na sede da empresa em Estocolmo.
Sem adiantar a data em que vão começar a ser comercializados em Portugal estes snus “alterados”, a Tabaqueira está, neste momento, já a fazer um soft launch em duas lojas antes de avançar com o lançamento generalizado.
Apesar de não ser um produto muito utilizado em Portugal, pelo menos por agora, a empresa de tabaco sueca acena com os benefícios face ao tabaco tradicional. Desde logo, diz Patrik Hildingsson, “se se tirar o fumo da equação ganha-se muito”, apontando estudos que confirmam que, no caso sueco, com a mudança do cigarro para os snus observou-se uma queda do cancro do pulmão, da boca, esófago e estômago. Isto não elimina, contudo, os riscos de dependência da nicotina, nem os efeitos negativos deste químico.
Num momento em que a utilização deste tipo de bolsas, em alternativa ao tabaco, vem a ganhar adeptos, estes produtos, ao passarem a pagar imposto, deixam de ser considerados ilegais em Portugal.
O Governo prevê arrecadar mais 71 milhões de euros com o imposto sobre o tabaco, para um bolo de 1,67 mil milhões de euros, “em resultado do crescimento esperado no consumo privado”.
A jornalista viajou a Estocolmo a convite da Câmara de Comércio Luso-Sueca
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