Von der Leyen defende política externa “mais realista”. E recusa uma UE “guardiã” da “velha ordem mundial”
A presidente da Comissão Europeia considerou que a Europa já não pode continuar a ser a "guardiã" da velha ordem mundial e, por isso, precisa de construir o seu próprio caminho.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou esta segunda-feira que a Europa já não pode continuar a ser a “guardiã” da velha ordem mundial e, por isso, precisa de construir o seu próprio caminho e encontrar “novas formas de cooperar” com os seus parceiros. O discurso voltou a criar polémica por a líder europeia chamar a si e ter posições sobre uma área, política externa, que é mais da competência de Kaja Kallas e de António Costa.
“A Europa já não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que já não existe e que não voltará. Defenderemos e respeitaremos sempre o sistema baseado em regras que ajudámos a construir com os nossos aliados, mas já não podemos continuar a confiar nele como a única forma de defender os nossos interesses, nem assumir que as suas regras nos protegerão das complexas ameaças que enfrentamos”, defendeu num encontro com os embaixadores europeus.
A presidente da Comissão Europeia considerou ainda que é preciso fazer uma análise “clara” e “rigorosa” da política externa da Europa, sendo por isso “urgentemente” refletir se estão a acompanhar o ritmo das mudanças. “A questão é que, se acreditamos – como eu acredito – que precisamos de uma política externa mais realista e orientada para os interesses, então temos de ser capazes de a concretizar”, atirou num discurso com casos concretos.
Sem “derramar uma lágrima pelo regime iraniano”, von der Leyen prefere não entrar no debate sobre se o ataque dos EUA e Israel ao Irão é uma “guerra de escolha ou uma guerra de necessidade”. Se a UE entrar por esse debate, diz, “perde o foco” e é necessário ver o “mundo é realmente hoje”.
Ainda assim, defendeu que a Europa já percorreu um “longo caminho” na direção do realismo nos últimos anos, dando o exemplo do apoio dado à Dinamarca no caso da Gronelândia. “Estamos a investir na nossa resiliência democrática a nível interno para combater a manipulação da informação estrangeira. E, acima de tudo, demos início a um projeto geracional: a independência europeia”, notou.
Uma coisa é certa: o objetivo é tornar a União Europa mais resiliente, mais soberana e mais “poderosa”, desde a área da defesa à energética. Para isso, considera ser necessário mais ligações com “parceiros fiáveis” e de “confiança”.
“Mas precisamos ir mais longe. Precisamos estar preparados para projetar o nosso poder de forma mais assertiva. […] A Europa precisa de assumir uma posição de liderança e começar a aproveitar as oportunidades que existem. Quase dois terços do crescimento global está a acontecer fora dos EUA e da China. Países de todos os continentes estão à procura do seu lugar no mundo”, alertou.
Ursula von der Leyen elencou algumas áreas que considera “particularmente importantes”, como a segurança, defesa e o comércio e o investimento com o mundo.
“Precisamos de investir nos meios para proteger o nosso território, a nossa economia, a nossa democracia e o nosso modo de vida. Isto estará no cerne da nossa nova Estratégia Europeia de Segurança”, disse, recordando o aumento “significativo” das despesas com a defesa no último ano.
Sobre a Ucrânia, salientou que precisam de apoio financeiro “sustentado”, numa referência ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para financiar as necessidades ucranianas que a Hungria entretanto bloqueou.
“A questão é que, em tempos de mudanças radicais como os nossos, podemos agarrar-nos ao que nos tornava fortes e defender hábitos e certezas que a história já ultrapassou, ou podemos escolher um destino diferente para a Europa. Podemos construir uma política externa que nos torne mais fortes internamente, mais influentes globalmente e melhores parceiros para os países de todo o mundo“, referiu.
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