Aumento dos combustíveis vai refletir-se nos custos do setor de TVDE

  • Lusa
  • 10 Março 2026

Presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracteriza reconhece que "aumento rápido" do preço dos combustíveis tem "impacto muito significativo nos custos da atividade".

Associações representativas do setor de TVDE – Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados consideram que a subida dos preços dos combustíveis vai refletir-se nos custos da atividade e também no consumidor.

Ivo Fernandes, presidente da APTAD – Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, reconheceu à agência Lusa que “o aumento rápido” do preço dos combustíveis em poucas semanas tem “um impacto muito significativo nos custos da atividade”.

“O combustível continua a ser um dos principais custos operacionais das empresas e dos motoristas. O preço dos combustíveis é uma componente muito alta do custo total da operação“, disse, acrescentando que sendo uma atividade de transporte de passageiros em automóvel, “é óbvio que este aumento de custos se traduz imediatamente num aumento dos custos de atividade”.

Segundo Ivo Fernandes, o principal problema no setor de TVDE “prende-se com o facto de os operadores não terem nenhum mecanismo que lhes permita fazer repercutir este aumento de custos no preço do serviço”.

Segundo o responsável, o preço do serviço “está manipulado (…) pelas plataformas” e, se ao longo dos últimos anos se tem assistido a “um aumento dos custos generalizados, nomeadamente também do combustível, e um constante esmagamento dos preços por parte das plataformas, não há nenhum instrumento que os operadores tenham para repercutir este aumento de preços”.

“Obviamente, para os operadores e os respetivos motoristas que trabalham em carros de combustão e que já veem as suas margens completamente esmagadas, muitos deles com margens negativas, é continuar a escavar o buraco”, frisou Ivo Fernandes.

Para o responsável da APTAD, a “réstia de esperança e de resiliência do setor é que, ao longo dos últimos anos, a frota tem vindo a ser cada vez mais eletrificada”, lembrando que atualmente, “em número de veículos ativos no setor TVDE, cerca de 43% já são elétricos”.

No entanto, para quem opera veículos elétricos, o aumento do custo de combustíveis é, segundo Ivo Fernandes “mais residual, porque não é direto”, no entanto, adverte que este aumento do custo de combustíveis “vai depois acabar por se traduzir (…) no aumento generalizado dos custos”.

Também Victor Soares, da Associação Nacional Movimento (AMN) TVDE reconhece que o aumento de combustível “só vem agravar realmente o setor e as empresas que na sua sustentabilidade têm rentabilidade”.

“Vai ser um impacto muito prejudicial para as empresas”, considerou.

Victor Soares lembrou que o Estado, até hoje, “ainda não fez qualquer tipo de apoio ao combustível, nem outro tipo de apoio ao setor TVDE”, vendo, por isso, “este aumento [como] muito prejudicial”.

Por outro lado, alerta que o Estado, na legislação, “não coloca nenhum modelo de negociação dos valores para o setor de TVDE”.

O responsável lembrou que, na quinta-feira, vai ser discutido, em plenário, o Projeto de Lei 396/XVII/, do PSD, que procede à alteração da Lei nº45/2018 que estabelece o regime jurídico dos TVDE, e seria importante que a lei tivesse um regulador para o setor.

Também Ivo Fernandes se mostrou preocupado com o facto de se ir discutir na Assembleia da República “as várias propostas para alteração do setor TVDE e não há nenhum partido que tenha feito propostas que, por exemplo, acautelem este tipo de situações, em que há um aumento significativo dos custos e isso não se consegue repercutir no preço das viagens”.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou que o Governo continuará a acompanhar a evolução do preço dos combustíveis “nas próximas semanas”, sem excluir medidas a nível nacional e até ibérico.

Apesar de não estar diretamente dependente de produtores do Médio Oriente, os preços dos combustíveis em Portugal são fixados internacionalmente, pelo que a evolução das cotações globais do crude se reflete no preço de venda ao público.

As variações do preço do petróleo podem demorar alguns dias a refletirem-se nos postos de abastecimento. Isso acontece porque as empresas distribuidoras compram combustível antecipadamente e os preços incluem também custos de refinação, transporte, impostos e margens comerciais.

O mecanismo de fixação dos preços em Portugal segue, em regra, a média das cotações da semana anterior, pelo que qualquer manutenção da tendência de alta deve refletir-se nos preços de venda ao público nesse período.

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