Banca rejeita críticas de ministro sobre crédito às empresas

Castro Almeida alertou para "excesso de prudência" no crédito às empresas. Bancos rejeitam crítica. Dizem que têm muito crédito para conceder, mas não há procura e não querem repetir erros do passado.

O ministro da Economia alertou os bancos para uma “situação anómala” no crédito às empresas e avisou que o “excesso de prudência” poderia atrasar o crescimento da economia. Os banqueiros ouviram as palavras de Manuel Castro Almeida e rejeitam as críticas. “Fico sempre um bocado preocupado quando se começa a apontar para uma área onde é fácil bater”, respondeu um dos gestores.

Castro Almeida referiu-se a uma “marca negativa” da banca nacional: “É que o valor dos depósitos das empresas nos bancos é superior ao valor dos empréstimos dos bancos às empresas. É a primeira vez que tal acontece nos últimos 45 anos e é uma situação anómala que obriga a ponderação. “É saudável a preocupação de continuar a reduzir a percentagem de NPL”, mas “o excesso de prudência atrasa o crescimento económico”, salientou o ministro na conferência Fórum Banca, organizado pelo Jornal Económico.

Mais tarde foi a vez de os bancos subirem ao palco no mesmo fórum. E, confrontados com os reparos do ministro, responderam que há muito crédito para conceder, mas não há procura.

“Não consigo encontrar uma razão, uma única razão, que levasse os bancos a ter excesso de prudência. O momento é exatamente o contrário, é com tanta liquidez, o normal é haver tentações a fazer disparates. E depois, dentro de uns anos, teríamos aqui os jornalistas a dizer que os bancos não souberam gerir o dinheiro e que andaram a emprestar a quem não podia pagar”, disse Miguel Maya, líder do BCP.

O problema está do lado da procura. Mas isto é endossar a responsabilidade aos empresários? Obviamente que não. O que se tem de perceber aqui é porquê que não há investimento. Porquê que os empresários não estão a investir? Porquê que estão seis meses à espera de um licenciamento para um turno adicional de uma fábrica?”, questionou.

Na Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo revelou que tem aprovado e não contratado, ou seja, “que as empresas podem usar quando quiserem, 45 mil milhões de euros”. Mas “por alguma maneira elas não precisam e não querem contratar ou a nossa área comercial ainda não conseguiu chegar a todas”, respondeu.

A nova CEO do Santander Portugal também considera que não há procura “com a intensidade que todos nós, enquanto portugueses, preferimos que aconteça”. Isabel Guerreiro lembrou que a banca portuguesa pratica dos spreads mais baixos às empresas. “Este número demonstra que há competição e que há vontade de emprestar e de apoiar bons projetos”, frisou.

João Pedro Oliveira e Costa disse que “é sempre um mau sinal” quando se aponta as críticas a “uma área onde é fácil de bater”. O líder do BPI recordou que os bancos foram “a grande solução” durante a pandemia. “Demos moratórias a centenas de milhares de pessoas, o que deu para que a economia continuasse”, lembrou.

O gestor ressalvou ainda que o dinheiro que os bancos emprestam é dos depositantes. “E temos um dever fiduciário enorme. Nunca vou largar esse ponto. Pressão, dessa forma, não vai existir. Estamos cá sempre pelos clientes, famílias e empresas”, referiu Oliveira e Costa.

Na mesma linha, o CEO do Crédito Agrícola destacou que todos os bancos gostariam de conceder mais crédito. Porém, acrescentou Sérgio Frade, “tendo em conta a desalavancagem de famílias e empresas, é natural que os balanços dos bancos reflitam o todo da economia”.

Pedro Leitão, que está de saída da liderança do Banco Montepio, disse que refuta “completamente” a questão de que os bancos não estão disponíveis para conceder crédito e rejeitou ainda que sejam excessivamente prudentes. Também lembrou que “se a economia não cresce a uma taxa ambiciosa, torna-se difícil criar oportunidades”.

“Ou há progresso e maior taxa de crescimento económico, ou os números vão crescer com os pés na terra, que é para não tropeçarmos e depois nos espalharmos, com os pés na terra, na concessão do crédito à economia”, disse Pedro Leitão.

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