Bruxelas quer atrair mais capital privado para energias limpas. BEI avança 75 mil milhões

Bruxelas quer atrair capital privado para as energias limpas, com destaque para as redes elétricas e os pequenos reatores nucleares.

A Comissão Europeia avançou, esta terça-feira, um conjunto de medidas que descreve como “estruturais” para endereçar falhas no que diz respeito ao investimento em energias limpas e energia nuclear em particular, mas também no que diz respeito a preços da energia mais acessíveis. No que diz respeito ao investimento, vai contar com a ajuda do BEI, que avança 75 mil milhões de euros de investimento ao longo dos próximos três anos, com o objetivo de alavancar fundos privados neste setor.

O objetivo é reduzir os preços da energia e também acelerar a transição energética no Velho Continente. O contexto atual – de conflito no Médio Oriente e de preços da energia a dispararem – tem evidenciado os riscos de os Estados-membros estarem expostos a importações de combustíveis fósseis. Apesar de se esperarem medidas de mais curto prazo, a serem anunciadas em breve, o pacote apresentado esta terça-feira olha sobretudo para o médio e longo prazo.

As necessidades de investimento para a transição energética são estimadas pela Comissão em aproximadamente 650 mil milhões de euros, aumentando na década de 2030 para perto dos 700 mil milhões de euros. Contudo, o nível de investimento atual, embora tenha aumentado um pouco nestes últimos anos, ronda os 250 mil milhões de euros. Bruxelas considera que o hiato não pode ser fechado apenas com fundos públicos, pelo que identifica a necessidade de atrair capital privado. Este é o objetivo da Estratégia para o Investimento em Energia Limpa apresentada agora.

Dos cerca de 33 biliões de euros em ativos sob gestão privada e dos aproximadamente 12 biliões de euros que estão nas mãos de investidores institucionais, a CE quer garantir que parte seja canalizada para o setor da energia. Para isso, conta com a colaboração do Banco Europeu de Investimento, que irá investir 75 mil milhões de euros no setor da energia em três anos.

Algo completamente inédito“, indica o comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen. O BEI vai ainda, em paralelo, criar um fundo de investimento infraestrutural para dar mais acesso ao capital para operadores das redes.

Esta “mãozinha” do BEI é anunciada no âmbito da estratégia, mas o diploma é mais amplo. Assenta em quatro pilares de ação: a atração de capital privado para as redes elétricas, facilitar empréstimos por parte da banca, aliviar o risco em setores inovadores, como é o caso dos SMR – Pequeno Reator Modular, e a criação do Conselho para o Investimento na Transição Energética, que promove o diálogo entre legisladores e investidores institucionais, e que arranca esta primavera.

Os Pequenos Reatores Modulares (SMR) são reatores nucleares que se distinguem dos tradicionais pela sua dimensão reduzida. À luz dos resultados do convite à apresentação de propostas em curso no âmbito do Fundo de Inovação no que diz respeito aos projetos de pequenos reatores modulares, a Comissão Europeia ponderará um complemento temporário adicional do InvestEU de 200 milhões de euros até 2028 para continuar a apoiar – através de garantias de redução dos riscos – a implantação das unidades comerciais iniciais de tecnologias nucleares inovadoras na UE.

No que diz respeito à banca, Bruxelas indica que as folhas de balanço estão carregadas de investimentos no setor da energia, e que portanto pretende facilitar a securitização destes produtos, isto é, promover que sejam vendidos, por exemplo a investidores institucionais, de forma a ganhar espaço para investir mais no setor da energia.

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