Cascais afasta de vez aumento da pista ou concessão de Tires. Prioridade é o polo NOVA Aerospace

Nuno Piteira Lopes, o novo Presidente da Câmara de Cascais, afirma que a prioridade absoluta é a criação de um "polo de conhecimento, formação e inovação", em parceria com a NOVA.

Nem expansão comercial nem concessão. A Câmara Municipal de Cascais não vai revisitar estes temas relativamente ao Aeródromo de Tires e coloca todas as fichas na transformação do espaço num centro de conhecimento nas áreas da aeronáutica e do espaço, em parceria com a NOVA. A garantia foi dada por Nuno Piteira Lopes ao ECO/eRadar, com o novo presidente da autarquia a focar quais as prioridades para aquele espaço.

Durante o meu mandato não haverá qualquer aumento da pista nem expansão do perímetro do aeródromo. Essa não é a nossa prioridade nem faz parte da estratégia para esta infraestrutura”, afirmou. “O que pretendemos é continuar a qualificar o aeródromo e especializar a sua atividade, reforçando o seu papel nas áreas da formação aeronáutica, da manutenção e dos serviços associados à aviação executiva e à inovação tecnológica ligada ao setor”, acrescentou.

Em 2023, foi criado pelo Governo de então um grupo de trabalho para avaliar a transferência dos voos executivos do Aeroporto Humberto Delgado para o Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires. Este já é a estrutura que mais voos privados recebe na área de Lisboa, mas uma transferência quase total, de acordo com o relatório do referido grupo de trabalho, obrigaria a obras de expansão em Tires, nomeadamente da pista. Carlos Carreiras, que cumpriu três mandatos sucessivos à frente da Câmara de Cascais, já se tinha manifestado contra uma expansão da pista, algo que o seu sucessor, Nuno Piteira Lopes — em início de mandato enquanto Presidente — reafirma.

A opção passa, sobretudo, não por maior tráfego na estrutura e sim no aprofundamento desta enquanto hub completo de formação e investigação. “O projeto NOVA Aerospace resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Cascais e a Universidade Nova de Lisboa, com o objetivo de criar em Cascais um polo de conhecimento, formação e inovação nas áreas da aeronáutica e do espaço, em estreita articulação com o Aeródromo de Cascais, em Tires”, explica o autarca.

“Da parte da Câmara, o nosso papel tem sido criar as condições para que este ecossistema se possa desenvolver, nomeadamente através da disponibilização do espaço para a instalação do projeto e da integração deste polo na estratégia mais ampla de desenvolvimento do cluster aeronáutico no concelho. Trata-se de um projeto que pretende aproximar a universidade, a formação técnica e a indústria, reforçando a posição de Cascais como um centro relevante nesta área e contribuindo para a criação de emprego qualificado”, acrescenta.

Neste momento, o projeto ainda está em fase de concretização do desenho e do modelo, não estando ainda dependente de qualquer licenciamento por parte da Câmara, que cedeu um terreno de 20 hectares para acomodar a expansão de estruturas de ensino e científicas.

Durante o meu mandato não haverá qualquer aumento da pista nem expansão do perímetro do aeródromo. Essa não é a nossa prioridade nem faz parte da estratégia para esta infraestrutura.

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais

Piteira Lopes já havia explicado, num comunicado divulgado em fevereiro, o que pretendia do projeto: “Em articulação com a Universidade Nova de Lisboa, o projeto NOVA Aerospace tem como objetivo modernizar a estrutura do atual aeródromo de Tires num aeródromo universitário, onde se edificará um centro de investigação universitária para alunos e professores dos domínios da engenharia eletrónica, mecânica e aeroespacial, da inteligência artificial e da mobilidade avançada, bem como espaços para empresas, startups e investidores nacionais ou internacionais, públicos ou privados, da indústria aeronáutica”. E, na mesma comunicação, revelou que “ estão articuladas parcerias com a Universidade Nova de Lisboa, a ANAC, a IAPMEI, a ITA Brasil, a Cranfield, a C-Fly, a Indra e a Optimal, que serão fontes credíveis de atração de investimento e conhecimento científico para Cascais“.

Com o foco total neste caminho, pelo caminho parece ter ficado a concessão do Aeródromo de Cascais, que chegou a ter uma consulta a eventuais interessados (e atraiu vários) mas que nunca chegou a ser efetivamente lançada. Questionado pelo ECO/eRadar sobre este dossiê, Nuno Piteira Lopes afirma que “quanto ao processo de concessão do aeródromo, o procedimento que chegou a ser preparado nunca avançou. Logo, se nunca avançou não se pode dizer que foi cancelado. A Câmara está concentrada na consolidação do modelo de desenvolvimento do aeródromo e na articulação com os projetos de ensino, investigação e indústria”.

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