Novobanco duplica prémios aos administradores em ano de venda

Mark Bourke teve direito a prémio de 1,13 milhões de euros no ano passado. Novobanco adianta ainda que retirou todos os bónus a Carlos Brandão, ex-administrador despedido com justa causa há um ano.

A administração do Novobanco teve direito a prémios de 3,7 milhões de euros em 2025, ano em que foi celebrada a venda da instituição financeira entre a Lone Star e os franceses do Groupe BPCE. Em relação a 2024, trata-se de um aumento de 84%, ou seja, os bónus quase duplicaram no ano passado, segundo o relatório e contas publicado pelo banco esta terça-feira.

O CEO Mark Bourke teve um prémio de 1,13 milhões de euros, quase três vezes mais do que no ano anterior. Isto em cima de uma remuneração fixa de 830 mil euros, que também subiu, e de outros subsídios (incluindo de expatriação) que totalizaram 300 mil euros. No total, o gestor irlandês, que deverá manter-se ao leme do banco após a venda ao grupo francês, teve uma remuneração de 2,26 milhões no ano passado, mais 78% em relação a 2024.

Ao todo, o Novobanco atribuiu remunerações fixas e variáveis de 7,5 milhões de euros a todo conselho de administração executivo composto atualmente por sete membros, mais 42% em comparação com 2024.

Em relação ao conselho geral e de supervisão, o presidente Byron Haynes recebeu 600 mil euros em termos fixos e outros 100 mil euros noutros benefícios, totalizando os 700 mil euros. Em 2024, Haynes tinha recebido 518 mil euros. O conselho geral e de supervisão recebeu no total 1,677 milhões de euros.

A Lone Star e o Estado acertaram a venda do Novobanco ao BPCE por 6,4 mil milhões de euros no ano passado, mas a transação deverá ficar concluída até final de abril.

Gestor despedido sem bónus

O Novobanco revela ainda no relatório e contas que decidiu retirar os prémios atribuídos a Carlos Brandão, que era administrador do banco, mas que foi despedido com justa causa há pouco mais de um ano.

“O comité de remunerações realizou uma avaliação relativa à aplicação dos mecanismos de ajustamento de risco previstos na política de remunerações. Com base nessa avaliação (…) decidiu aplicar mecanismos ex-post de mitigação de risco (…) com redução total à remuneração variável diferida, bem como o clawback relevante da remuneração variável anteriormente paga”, indica o relatório.

O Novobanco anunciou a 7 de janeiro a destituição com justa causa de Carlos Brandão do cargo de membro do conselho de administração, depois de ter tido conhecimento de “operações financeiras suspeitas realizadas na sua esfera pessoal, as quais deram origem a uma denúncia às autoridades”.

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