Recuperação do Gato Preto leva à saída de mais de 70 trabalhadores
Com o encerramento de dez das 15 lojas em Portugal, cadeia de artigos para o lar avançou com despedimento coletivo que abrange cerca de metade dos trabalhadores.
O Gato Preto avançou com um despedimento coletivo abrangendo mais 70 trabalhadores, praticamente metade dos quadros da cadeia de artigos para o lar e decoração que avançou com um plano de recuperação (PER) para assegurar a continuidade do negócio.
Fonte do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços adiantou ao ECO que alguns trabalhadores já saíram logo em janeiro com o encerramento das primeiras das dez lojas que vão encerrar no âmbito do plano que foi aprovado pelos credores – os quais vão ter de suportar perdas de 80% sobre os créditos de cerca de 50 milhões.
A mesma fonte revelou ainda que quatro estabelecimentos já encerraram e as restantes lojas irão fechar nos próximos meses, algumas das quais ainda durante este mês de março – o processo deverá estar encerrado em junho.
“Entre lojas que fechámos e que vamos fechar este ano, serão 73 pessoas no despedimento coletivo”, confirmou a empresa ao ECO.
O PER estimou em cerca de 900 mil euros o montante das indemnizações a pagar aos trabalhadores que vão ser despedidos, ou que dará uma média acima de 12 mil euros por trabalhador. O dinheiro virá da venda de um armazém que tem nos arredores de Lisboa, “sobredimensionado” para a realidade atual e futura da empresa, e que poderá render 1,2 milhões de euros.
Após este processo, o Gato Preto manterá abertas cinco lojas das 15 que tinha em Portugal: Fórum Almada (Almada), Freeport Fashion Outlet (Alcochete), Mar Shopping (Matosinhos), Palácio do Gelo (Viseu) e UBBO (Amadora), prevendo-se vendas de 4,6 milhões de euros em 2026.
Nos últimos anos, o Gato Preto tem enfrentado dificuldades desde o tempo da crise da pandemia de Covid-19 e que se avolumaram com a crise do navio encalhado no Canal Suez em 2021, que provocou ruturas no fornecimento de bens e agravou consideravelmente os custos de transportes.
Neste período, o Gato Preto viu as vendas caírem de 40 milhões de euros para menos de 20 milhões no ano passado. Em 2025, registou prejuízos de 11 milhões de euros.
Na semana passada, depois de o tribunal ter publicado o despacho de homologação do PER, o Gato Preto disse ao ECO que os credores deram “um voto de confiança” à empresa e à estratégia para sair das dificuldades. “Com o plano agora aprovado, o Gato Preto avança para a implementação das medidas previstas, reforçando a aposta no e-commerce e ajustando a sua operação às atuais dinâmicas de consumo”, frisou.
Além da redução da atividade em Portugal, o Gato Preto também cessará toda a operação em Espanha, onde estava presente desde o início do milénio, encerrando as cinco lojas. Segundo a empresa, a redução das lojas permitirá reforçar a aposta no canal online, onde espera vender cerca de 4,5 milhões este ano, o mesmo que em loja física.
Para os credores, vão ter de perdoar cerca de 40 milhões de euros, incluindo banca, fornecedores e ainda o grupo Aquinos, dono das lojas.
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