SAFE. Presidente polaco recusa assinar lei para financiar defesa com dinheiro europeu

  • Lusa
  • 10 Março 2026

Karol Nawrocki argumenta que o país ficaria ainda mais dependente de Bruxelas com um empréstimo de 44 mil milhões para a defesa. Polónia deveria ser o principal beneficiário do programa SAFE.

O presidente polaco, Karol Nawrocki, recusou esta terça-feira promulgar a lei que permitiria ao país aceder a cerca de 44 mil milhões de euros de empréstimos preferenciais para a defesa, argumentando que o país ficaria ainda mais dependente de Bruxelas. Em alternativa, sugeriu que se usassem recursos nacionais para investir na defesa.

Sucessivos governos polacos têm aumentado a despesa em defesa depois de a Federação Russa ter invadido a vizinha Ucrânia, em 2022. Mas enquanto o governo liberal de Donald Tusk quer coordenar esforços com a União Europeia (UE), o presidente nacionalista tem provado ser mais eurocético e mantido uma relação amigável com Donald Trump.

Desde que tomou posse em 2025, Nawrocki tem-se posicionado como o principal opositor ao primeiro-ministro, vetando várias das suas leis. A Polónia deveria ser o principal beneficiário do programa de empréstimos de 150 mil milhões de euros, lançado pela União Europeia, denominado SAFE, acrónimo de Security Action for Europe, para desenvolver a indústria europeia de defesa.

O governo preparou uma lista de 139 projetos, 30 dos quais destinados ao reforço das fronteiras orientais, e prometeu que 80% do dinheiro iria para as empresas polacas. Nawrocki e o principal Partido da oposição, que o apoia, o nacionalista e conservador Lei e Justiça (PiS, na sigla em Polaco) têm criticado a participação polaca no SAFE.

Argumentam que o dinheiro vem com condições, tornando a Polónia mais dependente da Alemanha, e encoraja aquisições aos produtores europeus, com prejuízo dos norte-americanos. “A independência polaca não tem preço”, disse o líder do PiS, Jarosław Kaczyński, em fevereiro. “O que nos propõem é uma Polónia sob a bota alemã e nós rejeitamos esta bota alemã”.

Entretanto, os embaixadores dos EUA junto da UE e da NATO, Andrew Puzder e Matthew Whitaker, respetivamente, já criticaram iniciativas com a SAFE e o Programa da Indústria de Defesa Europeia, por restringirem o acesso ao mercado por parte das empresas norte-americanas e, assim, “minarem a defesa coletiva”.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

SAFE. Presidente polaco recusa assinar lei para financiar defesa com dinheiro europeu

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião