“Tem de haver controlo na imigração, mas serviços diplomáticos têm de funcionar e não funcionam”

É preciso controlar a imigração, mas os serviços diplomáticos têm de funcionar, ou o problema da escassez de trabalhadores, nomeadamente, no turismo vai agravar-se. O aviso é de Jaime Morais Sarmento.

É preciso, sim, controlar a entrada de imigrantes em Portugal, mas também é preciso que os serviços diplomáticos funcionem ou poderá ser agravada a escassez de trabalhadores vivida no mercado nacional (e, em particular, no setor turístico). O alerta é feito por Jaime Morais Sarmento, vice-presidente sénior de recursos humanos do grupo hoteleiro Highgate Portugal, no novo episódio do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”.

“Foi um disparate abrir as portas e não haver controlo absolutamente nenhum. O controlo tem de existir, mas os serviços diplomáticos têm de funcionar como deve ser. E não funcionam“, sublinha o responsável, frisando que há diferenças significativas entre países e, por exemplo, no Médio Oriente e na Índia os serviços em causa “simplesmente” não funcionam.

Morais Sarmento conta, aliás, que já tentou ir recrutar diretamente em países estrangeiros e viu esse processo cair por terra, por não conseguir vistos para os candidatos. Por isso, avisa que a política de controlo adotada pelo Governo de Luís Montenegro tem de ser acompanhada por uma melhoria dos serviços (nomeadamente, no que diz respeito à sua rapidez) ou as dificuldades de recrutamento sentidas em Portugal vão piorar.

Por outro lado, no que diz respeito aos salários praticados no setor do turismo, o vice-presidente sénior de recursos humanos do Highgate Portugal reconhece que esse ainda é um fator que pesa muito na retenção de pessoal e já há grupos que fazem por pagar acima do salário mínimo nacional.

Por exemplo, na Highgate Portugal (que tem, neste momento, cerca de 1.300 trabalhadores), o salário mais baixo ronda hoje 975 euros, mais 55 euros do que a remuneração mínima garantida a nível nacional. E o vencimento médio é de cerca de 1.300 euros. A ideia, prevê o responsável, é manter esse diferencial nos próximos anos, ainda que o Governo tenha planos de continuar a aumentar, ano após ano, o salário mínimo nacional.

Mulheres na tecnologia, entre desafios e oportunidades

Também neste episódio, Inês Pina Pereira, head of people da Glintt Global, debruça-se sobre a presença feminina no setor tecnológico, dizendo que, nas últimas décadas, tem havido uma “crescente participação” delas no mercado de trabalho.

“A maior problemática, neste momento, está muito mais ligada à progressão e ao acesso aos cargos de liderança do que ao momento de entrada”, identifica a responsável, que aponta como fatores para esse cenário, nomeadamente, os conceitos enraizados e o facto de as responsabilidades familiares ainda recaírem muito sobre as mulheres.

“Temos vindo a trabalhar em algumas políticas, que dão acesso a um modelo de trabalho mais flexível e a horários que permitem conciliar a vida pessoal e profissional“, acrescenta Inês Pina Pereira.

À parte da parentalidade, a Glintt Global tem trabalhado nos “mecanismos de aceleração para as mulheres ascenderem a cargos de decisão”, bem como em mecanismos de recrutamento e avaliação mais objetivos, avança a head of people.

O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor?

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