BCE prepara investidores para o pior. Juros podem subir mais cedo que esperado, avisa Kazimir
Sem falar se será já em abril ou junho, Kazimir adiantou que o BCE poderá ser forçado a mexer nos juros mais rapidamente devido aos efeitos na inflação provocados pelo choque petrolífero.
Com a escalada da inflação de 2022 após a invasão russa à Ucrânia ainda bem presente na memória, o Banco Central Europeu está preparado para agir e evitar uma nova espiral de subida dos preços. Depois de os preços da energia terem saltado nos últimos dias, após os ataques no Irão, o banco central poderá ser forçado a subir as taxas de juro antes daquilo que era antecipado, avisa o membro do conselho de governadores Peter Kazimir.
Embora o BCE ainda esteja numa “boa posição” e não haja necessidade de tomar medidas na reunião da próxima semana, Kazimir, em declarações à Bloomberg, adiantou que os riscos de subida claramente dominam as perspetivas, devido aos riscos que o conflito no Médio Oriente implicam para a inflação.
Num momento em que se antecipava um período de juros estáveis, em torno de 2%, o conflito no Médio Oriente veio baralhar as contas dos investidores. As expectativas dos mercados já preveem dois aumentos das taxas em 2026 para refrear a expectável subida de preços, devido ao choque energético provocado pela guerra no Irão devido ao encerramento quase total do Estreito de Ormuz que levou o petróleo a negociar acima dos 100 dólares por barril.
“Não quero especular sobre [se um aumento de juros será em] abril ou junho. Mas estaremos preparados para agir, se necessário”.
“Para já devemos manter a calma”, embora “diria que a reação do BCE está potencialmente mais próxima do que muitas pessoas acreditam”, afirmou Kazimir em entrevista em Frankfurt à agência de notícias. “Não quero especular sobre [se um aumento de juros será em] abril ou junho. Mas estaremos preparados para agir, se necessário”, acrescentou.
O responsável argumenta que a “situação é extremamente instável, até mesmo dramática, e o pânico nos mercados e entre os políticos pode representar um risco“, mostrando-se preocupado com a situação atual.
Kazimir realça que “o equilíbrio de riscos em relação à inflação claramente deslocou-se para cima” e “podemos esquecer todos os debates sobre inflação abaixo da meta”.
“As empresas ainda se lembram dos anos de inflação e provavelmente vão passar os custos mais altos para os consumidores muito mais rapidamente do que em 2022″, explicou. “E as pessoas vão exigir salários mais altos mais rapidamente do que no passado”. Face a este ambiente, o BCE está preparado para agir e evitar que o índice de preços escale, tal como aconteceu após o início da guerra na Ucrânia.
“Podemos responder mais rapidamente, se necessário. Temos que ser ágeis. Também aprendemos a nossa lição“, reforçou.

Também a presidente do BCE, Christine Lagarde, que, em dezembro, declarava que a inflação estava num “bom lugar”, garantiu que a autoridade monetária não vai deixar que a escalada de preços registada em 2022 se repita.
“Estamos numa conjuntura económica diferente, numa situação melhor, e temos uma maior capacidade de absorver choques”, declarou à France 2 na terça-feira. “Faremos tudo o que for necessário para garantir que a inflação esteja sob controlo e que os franceses e os europeus não sofram aumentos inflacionistas como os que vimos em 2022 e 2023″, defendeu.
Lagarde acrescentou, porém, que há atualmente “muita incerteza”, o que a impede de dizer “precisamente o que vamos decidir” na reunião agendada para os dias 18 e 19 de março. “Não vamos tomar uma decisão precipitada porque há muita incerteza e muita volatilidade“, sustentou, confirmando a mensagem de Kazimir que uma subida de juros poderá estar fora da mesa no encontro da próxima semana.
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