BCP e Generali asseguram que não faltam recursos para investir na economia

Miguel Maya diz que não lhe falta incentivos para conceder mais crédito à economia. Já Pedro Carvalho lamenta que a regulação desincentive a poupança de longo prazo.

BCP e Generali asseguraram esta quarta-feira que não falta recursos financeiros aos bancos e seguradoras para investirem na economia. Miguel Maya sublinhou que não lhe falta incentivos para emprestar mais às empresas. Já Pedro Carvalho lamentou os desincentivos à poupança de longo prazo.

“O rácio de transformação da última vez em que o BCP estava a apanhar pedras era de 190%. Depois passámos 12 anos a resolver os problemas. Atualmente o rácio anda nos 70%, abaixo daquilo que gostaríamos. Nós temos todos os incentivos para colocar este crédito ao serviço da economia”, respondeu o CEO do banco – na véspera o ministro da Economia criticou os bancos por estarem a ser excessivamente prudentes.

Maya, que falava no painel “Poupança e Investimento” da conferência “Banking on Change”, organizada pelo ECO e KPMG, sublinhou que o apetite de risco do banco é “emprestar a quem tenhamos confiança que vai devolver o dinheiro, porque o dinheiro é dos depositantes”.

Já o CEO da Generali Tranquilidade lamentou a realidade da Europa – “não é uma singularidade de Portugal –, que poupa muito mais do que investe. “Os EUA investem muito mais do que poupam”, referiu o gestor.

Pedro Carvalho criticou ainda o “plano inclinado contra a poupança de longo prazo e contra a poupança de maior rendimento” em Portugal. “Há uma procura muito grande e uma obsessão com o capital garantido e com a proteção do consumidor”, observou.

“Uma pessoa que queira subscrever um seguro a oito anos tem de responder a questionários, a perguntas, entre outras, se está disposto a perder 50% do capital ou 100% do capital, mas não está a pergunta se sabe que pode receber o dobro. (…) Existem barreiras que não têm só a ver com a literacia financeira. Porquê? Porque as pessoas sentem-se compelidas pela regulação a investir em produtos garantidos”, afirmou.

Dividendos ou investimento em IA? “É preciso gerir com prudência”

Num painel anterior, Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), pediu aos bancos para refletirem sobre a retenção de resultados que podem vir a ser necessários para os pesados investimentos em tecnologia, designadamente na IA. Para Miguel Maya, é uma questão que “é preciso gerir com prudência”.

É preciso remunerar os acionistas, porque senão não temos mercado de capitais”, disse o líder do banco que vai distribuir 90% do lucro de mil milhões euros pelos acionistas em dividendos e recompras de ações próprias.

“Se ficamos satisfeitos por ter um banco com um ROE de 14%, eu não estou satisfeito”, acrescentou Miguel Maya, que lembrou que a rentabilidade do BCP na última década é de 6%.

Ainda assim, para Miguel Maya, o importante é o banco manter “folgas de capital adequadas para fazer os investimentos”. E no caso do BCP não há investimentos que ficam por fazer. “Eu não embarco nesta ideia de que temos de fazer tudo e todas as coisas. (…) O que nós fazemos no BCP é exatamente, em vez de investir em tudo, escolhemos as áreas que são verdadeiramente transformadoras para os clientes e que podem ter duas vertentes: experiência do cliente e eficiência operacional”, explicou.

Maya assegurou que não quer ser um Revolut 2.0 ou Revolut 3.0. “Vemos com agrado um operador como a Revolut porque nos desafia a fazer melhor. (…) Mas não é esse o caminho do BCP. O papel do BCP é posicionar-se com uma proposta de valor que potencia uma relação simbiótica de proximidade e de relação com a pessoa”.

“É muito provável que seguradoras não tenham o seu melhor ano sempre”

Referindo-se ao impacto do comboio das tempestades, Pedro Carvalho antecipou (e reconheceu que não é difícil fazer essa antecipação) que muitas companhias, incluindo a Generali Tranquilidade, “não tenham este ano o seu melhor ano de sempre em termos financeiros”.

Mas o gestor diz que o mais importante é ajudar na recuperação dos estragos, mas também preparar o futuro. “Portugal estava a salvo de alguns fenómenos climatéricos que nunca nos bateram à porta. Mas as próprias empresas têm de saber onde é que se vão localizar, que materiais é que vão usar na construção. As telhas que nós temos em Portugal são muito bonitas, muito práticas e muito económicas, não é? Aquelas telhas laranjas são boas, ótimas, para quando chove e temos vento até 60, 70, 80 km por hora. Mas a partir dos 100km/hora começam a voar por todo lado, portanto, não estão fixas. Se o paradigma mudar, vamos ter de fazer alterações estruturais nas nossas infraestruturas, dos particulares, das empresas e das públicas”, referiu.

Sobre o mesmo tema, Miguel Maya lembrou que o BCP já aprovou mais de 1.300 moratórias a empresas e famílias.

Veja aqui o vídeo:

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