Campo de Tiro sai de Alcochete para Alter do Chão

Mudança, cujo investimento não foi divulgado, foi anunciada por Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional.

O Campo de Tiro da Força Aérea sairá de Alcochete e vai ser instalado em Alter do Chão, anunciou esta quarta-feira o ministro da Defesa, Nuno Melo. Esta mudança é obrigatória uma vez que o futuro aeroporto internacional de Lisboa, com o nome de Luís de Camões, será instalado exatamente nos terrenos onde funciona até agora o Campo de Tiro de Alcochete, no distrito de Setúbal.

O futuro campo de tiro ocupará uma área de 7.500 hectares e a localização foi definida em acordo com a autarquia de Alter do Chão, no distrito de Portalegre. A instalação do Campo de Tiro na nova localização irá implicar a mudança de cerca de 200 militares e suas famílias para o concelho. Nuno Melo recusou quantificar o investimento envolvido nesta transferência, que será suportada pelo Estado português.

“Por via deste campo de tiro, da sua concretização, serão realizadas obras infraestruturais, será constituída uma unidade militar, perto de 200 militares e as suas famílias serão instalados no respetivo concelho, nele residindo, ajudando a dinamizar o comércio agregado, a estudar nas escolas, a trabalhar na região”, destacou o ministro da Defesa.

Para o concelho do distrito de Portalegre, com pouco mais de três mil habitantes, “estão também assegurados investimentos importantes para o seu desenvolvimento futuro”, frisou.

O projeto tem sido trabalhado entre o Ministério da Defesa, no que toca aos investimentos no campo de tiro, e o das Infraestruturas, no que se refere aos investimentos que serão feitos na região, como vias de comunicação ou habitações para a instalação dos militares e famílias, referiu o ministro sem adiantar um valor global de investimento para este projeto, bem como para a desmilitarização do atual campo de tiro em Alcochete.

Um estudo de 2008, que referia Mértola como local para o novo campo de tiro, apontava um investimento na ordem dos 280 milhões. Questionado pelo ECO/eRadar se se estava a falar de um investimento dessa ordem de grandeza e se o mesmo corria apenas por conta do Estado português ou se haveria alguma outra entidade envolvida nesse financiamento, Nuno Melo responde: “O investimento é do Estado português, o montante, eu não vou correr o risco de errar, mas muito em breve, nem que seja numa audição parlamentar, haverá oportunidade de detalhar mais aquilo que serão os custos do investimento em si.”

Campo de tiro terá 7.500 hectares

Mértola, que chegou a ser apontada como opção para o futuro campo de tiro, “não foi uma primeira opção”, garante o governante. “Terá sido, em tempos de um governo socialista, com um estudo que apontaria para essa possibilidade, mas não era vontade da Câmara Municipal de Mértola receber o campo de tiro.” O futuro campo de tiro irá ocupar uma área com cerca de 7.500 hectares, num “concelho que quer receber esta unidade militar”, realça Nuno Melo.

“O meu concelho tem 362 km² e a nossa densidade populacional são nove habitantes por km². Estou certo, e creio firmemente, que uma implantação de uma infraestrutura desta natureza no meu concelho provocará outra dinâmica, levando crianças para a escola, ajudando o comércio local, desenvolvendo tudo o que são as infraestruturas que temos no nosso concelho, poucas, naturalmente vai ser importante para o concelho e proporcionará, com certeza, outros patamares de desenvolvimento”, considera Francisco José Cordeiro Miranda, presidente da autarquia de Alter do Chão, eleito pela coligação PSD/CDS.

O autarca diz não ter receio de eventuais problemas ambientais, como contaminações dos solos — um dos argumentos de Mértola para rejeitar o campo de tiro. “Foi claro para mim a vantagem do campo de tiro da Força Aérea ser colocado no meu concelho”, disse.

Nuno Melo desvalorizou igualmente eventuais problemas de foro ambiental. “Há problemas que são visíveis no anterior campo de tiro que hoje nunca aconteceriam porque a utilização do campo de tiro é muito mais espaçada, acontece poucas vezes, com grande controlo e com a garantia de que tudo o que é lançado ou explode ou é recolhido”, diz.

O General Cartaxo Alves, que tomou posse como Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) a 2 de março, clarifica. “A operação que a Força Aérea vai desempenhar [no campo de tiro] não decorre durante todo o ano, sendo executada fora do âmbito do período dos fogos florestais”, disse.

“Fazendo um paralelismo com o atual campo de tiro, temos neste momento atividades pastorícias e de agricultura. E todos os produtos feitos no campo de tiro são certificados ambientalmente. O campo de tiro da Força Aérea Portuguesa, e este em Alter do Chão também, irá ter as várias certificações ambientais”, reforça. Mais, “tudo aquilo que é executado em Alcochete, é retirado após a deflagração e tratados ambientalmente”, destaca.

O Tenente-General Sérgio Costa Pereira, desde março o Chefe do Estado Maior da Força Aérea, destaca que desde 2020 o campo de tiro de Alcochete é certificado ambientalmente. “O campo de tiro da Força Aérea é um dos principais contribuintes para o roteiro da neutralidade carbónica 2050 do Governo”, destaca.

“As atividades agrícolas que lá decorrem neste momento — nomeadamente o Sr. Presidente da Câmara referiu muitas delas ao nível de rebanhos, de manadas — tudo isso vai continuar”, diz ainda Cartaxo Alves. O CEMGFA realçou também que, apesar de no campo de tiro, muitas vezes ser usado armamento real, cada vez mais neste tipo de atividades há sensores e simulações.

Nuno Melo não avançou uma data para a conclusão do projeto, nem a localização exata da sua instalação, adiantando que “grande parte destes terrenos são terrenos públicos”, o que poderá limitar a necessidade de expropriação de terrenos, caso não haja acordo com proprietários.

(Última atualização às 18h38)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Campo de Tiro sai de Alcochete para Alter do Chão

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião