Dona da Zara com lucro recorde de 6.220 milhões em 2025
As vendas da Inditex cresceram em 2025, mas menos do que em anos anteriores. A empresa fechou lojas e aumentou os metros quadrados da lojas, as vendas online já representam 27% das vendas totais.

As vendas da Inditex ultrapassaram os 39,8 mil milhões em 2025, de acordo com os resultados da empresa, divulgados esta quarta-feira. É um crescimento de 3,2% face aos 38,632 milhões de 2024. Apesar de positivo, é um crescimento mais moderado do que em exercícios anteriores. O resultado líquido atingiu 6.220 milhões (foi de 5.866 milhões em 2024). O EBITDA atingiu 11.267 milhões, com uma margem EBITDA de 28,3%, acima dos 27,8% do ano anterior. Distribuiu 5.235 milhões em dividendos.
A Europa continua a ser o principal motor do grupo, representando mais de dois terços das vendas quando se inclui Espanha. Os níumeros não estão detalhados por país, não sendo possível determinar o peso de Portugal no total. No entanto, a distribuição por mercado mostra que o país tem 265 lojas (dados até 31 de janeiro de 2026) de todos as marcas. Representam 4,9% da rede global de 5.460 espaços. Está próximo de França, com 269 lojas, e acima de mercados como Alemanha, com 128, e Reino Unido, com 116.
O conceito mais representado é a Pull&Bear, com 44 espaços. Seguem-se Stradivarius (40), Bershka (39), Zara (37), Massimo Dutti (32), Lefties (31), Zara Home (24) e Oysho (18). A presença da Lefties é elevada face à dimensão do mercado – Portugal concentra cerca de 14,4% da rede global da Lefties.
O resultado operacional foi de 7.997 milhões, com uma margem de 20,1%, acima dos 19,6% registados em 2024. O balanço mostra dívida financeira praticamente inexistente, com dois milhões de dívida financeira correntes e sem dívida financeira não corrente. A empresa tem €5.276 milhões em caixa e €5.684 milhões em investimentos financeiros correntes.
A margem bruta subiu de 57,8% em 2024 para 58,3% em 2025. O terceiro trimestre (julho a setembro) foi período mais rentável com uma margem bruta de 62,2%, muito acima do último trimestre, o das festas (outubro a dezembro), em a margem bruta foi de 54.8% (abaixo até da média do ano), sendo, no entanto, o período com mais vendas, com 11.693 milhões de euros. As margens continuam a ser das mais elevadas no retalho global e o controlo de custos foi decisivo para o aumento do lucro.
Redes de lojas a encolher
A Inditex terminou 2025 com 5.460 lojas, menos do que as 5.563 do ano anterior (menos 103 lojas, isto é, -6%), reforçando a estratégia de ter menos espaços comerciais, com mais metros quadrados (cresceu 6% em área comercial). De acordo com a Inditex, realizaram 217 remodelações, 96 ampliações e 293 absorções de lojas menores. A rede encolheu de forma transversal:
- Zara – 1.550 para 1.500 (menos 50)
- Zara Home – 391 para 374 (menos 17)
- Massimo Dutti – 528 para 511 (menos 17)
- Oysho – 396 para 383 (menos 13)
- Pull&Bear – 800 para 791 (menos 9)
Neste panorama de redução há apenas uma exceção, a Lefties, que subiu de 209 para 215 lojas. Esta aposta sugere que o segmento de preço acessível continua a ser vital para a Inditex. Os resultados desta insígnia são contabilizados juntamente com a Zara e Zara Home.
Por marca, estes foram os resultados:
- Zara + Zara Home + Lefties – 28,1 mil milhões, o que representa cerca de 70% das vendas.
- Bershka – 3,3 mil milhões
- Stradivarius – 3 mil milhões
- Pull&Bear – 2,5 mil milhões
- Massimo Dutti – 2 mil milhões
- Oysho – mil milhões
Por geografia, estes são os resultados:
- Europa, sem Espanha – 51,3%
- Espanha – 15,9%
- Américas – 17,8%
- Ásia e resto do mundo – 15,0%
Paralelamente, o canal online continua a crescer. Atingiram os 10,7 mil milhões, um crescimento de 4,8% face a 2024. Representa 27% das vendas totais.
Integração tecnológica em 2026, num mundo em conflito
Para 2026, a Inditex prevê 2,3 mil milhões de investimento, principalmente na otimização de lojas, integração tecnológica e plataformas online. A empresa investiu €900 milhões por ano em 2024 e 2025 para expandir capacidade logística.
Ao longo do ano, “a implementação da nossa tecnologia de alarme soft tag nas lojas continua a avançar”. “Esta iniciativa complementa o programa Assisted Checkout e reforça ainda mais o nosso ecossistema tecnológico nas lojas”, de acordo com a empresa. “O hardware já está instalado em 100% das nossas lojas físicas e a nova tecnologia será aplicada a 90% dos produtos em todos os formatos nas coleções Primavera/Verão de 2026”.

A experiência de venda online também está a ser mudanças. “Desde meados de dezembro, o Zara Try-on permite aos clientes gerar imagens através de inteligência artificial – um sistema de prova virtual baseado em IA que permite aos clientes criar um avatar sintético a partir das suas próprias fotografias e gerar imagens desse avatar a vestir produtos reais. Atualmente está disponível em 43 mercados, com mais de 7 milhões de sessões, funciona exclusivamente em Zara.com e está a ser progressivamente alargado aos outros conceitos do grupo.
A situação de conflito – na Ucrânia, por um lado, e agora no Média Oriente – não foi referida na informação prestada pela Inditex esta quarta-feira. Mas, antecipam analistas e investidores, colocará pressão adicional sobre o setor do retalho na Europa, que já enfrenta uma procura fraca e consumidores com menor poder de compra e mal se refez do ciclo inflacionista provocado pelo disparo dos preços do gás após a invasão da Ucrânia pela Rússia, lembra a Reuters.
Fabricantes de alimentos, supermercados e retalhistas de vestuário aumentaram significativamente os preços após o último choque energético em 2022. Contudo, o cenário atual poderá ser mais difícil, já que as economias da zona euro e do Reino Unido estão praticamente estagnadas, adianta a Reuters.
A este cenário, juntam-se os custos adicionais e perturbações provocadas pela guerra comercial global lançada pelo presidente norte-americano Donald Trump no ano passado.
“Se os preços subirem agora, os consumidores podem reagir de forma mais forte, tendo em conta que a procura já está num estado frágil”, afirmou Christian Eufinger, professor de finanças no IESE, em Barcelona, que tem investigado a forma como os choques nos preços da energia se repercutem nos preços ao consumidor, citado pela Reuters.
O setor do retalho e dos bens de consumo já era o mais pressionado na Europa, antes da nova subida do preço dos combustíveis, lembra a Reuters, citando um índice publicado em janeiro pela sociedade de advogados Weil, especializada em reestruturações Weil, que considera indicadores como a redução da rentabilidade e o aumento do risco de insolvência.
O primeiro impacto para os retalhistas é o aumento do custo de transporte das mercadorias – que representa habitualmente entre 5% e 10% das despesas operacionais de um retalhista, segundo Francesco Gangemi, da consultora Simon-Kucher.
Há depois os custos energéticos associados à refrigeração, ar condicionado, aquecimento e iluminação das lojas acrescentam pressão adicional, especialmente para supermercados e centros comerciais.
Os retalhistas de vestuário poderão ser os mais vulneráveis à inflação crescente, já que a moda é frequentemente a primeira despesa que os consumidores reduzem quando os preços dos alimentos e de outros bens essenciais sobem, acrescentou Gangemi.
A situação já levou os analistas do RBC a reduziram as previsões de lucros para a britânica Marks & Spencer. No Reino Unido, a associação do sector do retalho apelou ao governo para limitar o impacto sobre os consumidores.
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