Fitch prevê défice de 0,8% em Portugal por causa das tempestades e da guerra no Irão

  • Lusa
  • 11 Março 2026

Analista da agência de notação financeira destaca que poderá ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspetiva do Governo.

A Fitch projeta que Portugal terá um défice orçamental de 0,8% do PIB este ano, nomeadamente devido aos apoios que tardam a chegar ao terreno para responder aos danos do mau tempo, existindo ainda incerteza quanto ao impacto do conflito no Médio Oriente.

Num webinar sobre as perspetivas para Portugal, realizado hoje, Utku Bora, diretor associado de ratings soberanos da Fitch, salientou que a agência de notação financeira antecipa défices pequenos este ano e no próximo.

Para este ano, a previsão da Fitch é de um défice de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), nomeadamente devido à despesa com as tempestades, que é considerado um one-off, ou seja, um gasto que só acontece uma vez devido a um evento inesperado.

O analista apontou que ainda existe alguma incerteza quanto ao impacto total do mau tempo, bem como no que diz respeito aos preços do petróleo e os efeitos que isso pode ter.

O Governo já anunciou medidas, como o desconto no ISP devido ao aumento dos preços dos combustíveis, mas o impacto irá depender de quanto tempo os preços se mantêm elevados.

“Há um equilíbrio delicado e tudo depende da evolução dos preços do petróleo e do impacto da tempestade”, assumiu o analista, destacando que poderá ter de existir uma escolha entre lidar com a inflação e o saldo orçamental, dependendo da perspetiva do Governo.

Além disso, a utilização mais alta de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência “também acrescenta pressão” às contas públicas, sinalizou o responsável.

Ainda assim, o analista apontou que Portugal alcançou excedentes em 2023 e 2024, sendo que em 2025 é esperado um saldo positivo mais elevado do que o previsto, particularmente graças à receita fiscal.

Utku Bora salientou ainda que, apesar das várias eleições nos últimos anos, os governos “têm mantido prudência orçamental e priorizado a consolidação”.

A 6 de março, a agência de notação financeira Fitch manteve o rating da dívida de Portugal em ‘A’, melhorando o outlook para positivo.

A Fitch indicou que a revisão da perspetiva reflete a opinião da agência “de que a dívida pública de Portugal em relação ao PIB continuará a cair de forma significativa” ao longo do horizonte de previsão (2026-2029), apoiada por “uma política orçamental prudente, com défices que se mantêm bem abaixo da mediana do grupo de pares”.

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