Francisca Guedes de Oliveira defende que supervisão deve reforçar capacidade de “identificar novos riscos”
Administradora do Banco de Portugal considerou que é preciso "equilíbrio" entre a inovação e a supervisão, para uma transformação "segura" e que não gere "prejuízos".

Francisca Guedes de Oliveira, administradora do Banco de Portugal, defendeu esta quarta-feira que, perante um contexto de rápida transformação, a supervisão tem de acompanhar a mudança a que se assiste no setor bancário, reforçando a capacidade de identificar novos riscos.
“Num sistema financeiro em rápida transformação, a supervisão tem que acompanhar essa mudança, reforçando a capacidade do sistema identificar e avaliar novos riscos, antecipar fragilidades e promover a estabilidade e recuperação da economia“, disse Francisca Guedes de Oliveira, no discurso de encerramento da conferência “Banking on Change” organizada pelo ECO e pela KPMG e que decorreu em Lisboa.
A administradora do Banco de Portugal sublinhou que o papel da supervisão não passa por travar a inovação ou limitar o desenvolvimento, mas sim para assegurar que o progresso ocorre de forma segura, equilibrada e ao serviço da economia e da sociedade.
“O supervisor está consciente da necessidade de assegurar um quadro regulatório simples, claro e proporcional“, disse, acrescentando que o objetivo passa por deixar de lado fatores que geram incerteza e custos acrescidos com um “prejuízo real” para o sistema.
Neste sentido, considerou que supervisionar num mundo em mudança significa, portanto, encontrar o “equilíbrio”. “Permitir que o sistema evolua, que inove e que se adapte, garantindo ao mesmo tempo que essa transformação ocorra de forma segura e sustentável, sem atropelo do equilíbrio do sistema“, apontou.
“Mais do que nunca é essencial que sistema bancário esteja preparado para amparar choques”
Francisca Guedes de Oliveira destacou ainda o papel do sistema financeiro e em particular de uma “banca sólida” perante choques como o comboio de tempestades que fustigou o país no início do ano ou a guerra no Irão.
“O papel da banca tem sido de apoio na resolução desses choques. Mais do que nunca é essencial que sistema bancário esteja preparado para amparar esses choques”, disse.
Considerou que o fenómeno da estagflação está ainda “longe”, mas alertou: “não deixa de ser crucial estarmos todos atentos e a termos uma reação rápida”.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Francisca Guedes de Oliveira defende que supervisão deve reforçar capacidade de “identificar novos riscos”
{{ noCommentsLabel }}