“Não ouvi falar espanhol em Leiria”. CEO da Mota-Engil garante capacidade portuguesa para obras públicas
Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil, garante que há capacidade das construtoras portuguesas desde que exista previsibilidade sobre os projetos. E espera reciprocidade nas concessões em Espanha.
O investimento previsto para a próxima década em obras públicas é avassalador: 60 mil milhões de euros. O Governo tem estado empenhado em atrair construtoras estrangeiras para os projetos em Portugal e sugere parcerias internacionais, mas o CEO da Mota-Engil, garante que há capacidade em Portugal, desde que exista “previsibilidade”.
“Estão absolutamente errados”, dispara Carlos Mota Santos quando confrontado com as declarações do Governo sobre a falta de capacidade da construção nacional, em declarações à margem do Capital Markets Day da empresa, que decorreu esta quarta-feira num hotel em Lisboa.
A capacidade vem quando os projetos existem. O que há em Portugal não é falta de capacidade, é de previsibilidade. Ninguém investe, ninguém instala capacidade para o desconhecido. Isso não faz sentido absolutamente nenhum sob a lógica de um gestor.
“A capacidade vem quando os projetos existem. O que há em Portugal não é falta de capacidade, é de previsibilidade. Ninguém investe, ninguém instala capacidade para o desconhecido. Isso não faz sentido absolutamente nenhum sob a lógica de um gestor”, afirmou o CEO da construtora.
“Preocupemo-nos em ter previsibilidade porque a capacidade essa aparece“, acrescenta. E dá como exemplo a Mota-Engil ter construído nos últimos cinco anos várias vezes mais ferrovia do que os quilómetros da alta velocidade em Portugal.
“O senhor ministro das Infraestruturas e o Governo sabem da capacidade que existe no setor e da capacidade que o setor tem de mobilizar no sentido de ter mais capacidade”, insistiu Carlos Mota Santos.
Quem é que foi lá? Foram os espanhóis? É que não vi nenhuma empresa espanhola nem lá, nem em Leiria. Em Leiria, que eu estive lá, nós participamos, a par de uma série de outras empresas, eu não ouvi falar espanhol. Não ouvi.
O gestor usou ainda como argumento o facto de terem sido empresas portuguesas, com a Mota-Engil à cabeça, a fazerem para a Brisa a obra de reparação da A1, no troço que desabou com as cheias em Coimbra, em menos de duas semanas.
“Quem é que foi lá? Foram os espanhóis? É que não vi nenhuma empresa espanhola nem lá, nem em Leiria. Em Leiria, que eu estive lá, nós participamos, a par de uma série de outras empresas, eu não ouvi falar espanhol. Não ouvi”, sublinhou Carlos Mota Santos.
Durante a apresentação os investidores, o CEO da Mota-Engil manifestou o desejo de a empresa entrar em concessões noutros países europeus, nomeadamente em Espanha. E espera não ser bloqueado, porque as construtoras espanholas já ganham obras em Portugal.
“Todos sabemos os problemas que existem em Espanha, mas também se calhar está na hora desses problemas deixarem de existir. Se nós não conseguirmos ter sucesso em Espanha nos próximos ciclos, desculpem, mas isto é prova provada de não haver reciprocidade“, atirou. “Vamos fazer novamente o teste para ver se há reciprocidade ou se não há reciprocidade”.
No plano estratégico apresentado esta terça-feira, a Mota-Engil pretende aumentar a margem líquida do negócio dos 3% para os 4% até 2030 e entregar 30% a 50% dos lucros aos acionistas. O plano estratégico “FOCUS 2030” ambiciona ainda levar o volume de negócios dos 5,3 mil milhões para os nove mil milhões e prevê um investimento de 500 milhões ao longo dos próximos quatro anos.
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