Pedro Machado sugere à banca reter dividendos para investir em tecnologia

Membro do Conselho de Supervisão do BCE defende que o investimento em IA é crítico e necessário para as instituições financeiras, desafiando os bancos a uma reflexão.

Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), desafiou esta quarta-feira a banca a reter dividendos para investir em tecnologia, defendendo que o investimento em IA é crítico e necessário para as instituições financeiras.

“É importante para os bancos fazerem uma avaliação de vida se em termos de retenção de lucros, os montantes que estão a ser retidos são suficiente para os níveis de investimento tecnológico”, disse Pedro Machado durante a conferência “Banking on Change”, organizada em Lisboa pelo ECO com a KPMG.

Neste sentido, convidou os conselhos de administração e acionistas da banca “a alguma reflexão em saber até que ponto a retenção de lucros para investimento corresponde ao necessário para a digitalização que está a ser operada no sistema financeiro”.

O membro do Conselho de Supervisão do BCE salientou que “os bancos estão a remunerar os seus acionistas e não estão a reter esse lucros, porque consideram que não há necessidade de reter esses lucros para investimento ou conceder crédito”.

Pedro Machado salientou ainda que “o investimento em IA é crítico e necessário para os bancos” e vai exigir “escala e disponibilidade de financiamento”. “Perguntámos aos bancos se estão confortáveis com os níveis de investimento que vão precisar”, revelou o membro do conselho de supervisão bancária do BCE.

“Há que ter em atenção as necessidade de investimento em tecnologia vão ser muito elevadas, disse.

Rácios pedidos aos bancos não são excessivos

Pedro Machado não considerou que os rácios de capital pedido pelos supervisores aos bancos sejam excessivos. É o próprio mercado que pede isso.

“Os bancos significativos da Zona Euro estão a operar com rácios de capital CET1 em torno dos 16,2%. Ou seja, os bancos estão a operar com colchões de segurança que vai muito para além dos requisitos dos supervisores“, disse o português.

Na sua opinião, isto acontece porque “os investidores querem que os bancos operem com rácios acima do que pedem os supervisores“. Por isso, a “questão dos rácios serem excessivos” é uma discussão que não corresponderá à verdade.

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