Rendas das casas disparam 5,2% em fevereiro. INE confirma inflação de 2,1%

  • Joana Abrantes Gomes
  • 11 Março 2026

Índice de Preços no Consumidor e valor médio das rendas por metro quadrado aceleraram face a janeiro. Alimentos não transformados tiveram aumento de quase 7%.

As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 5,2% em fevereiro face há um ano, acelerando uma décima em relação a janeiro. Segundo os dados publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no mês em análise “todas as regiões apresentaram variações homólogas positivas das rendas de habitação”, com o maior aumento a observar-se na Madeira (+7%).

Em termos mensais, o valor médio das rendas de habitação por metro quadrado registou uma variação de 0,6%, menos 0,2 pontos percentuais comparativamente ao mês anterior. Tal como na comparação homóloga, também na variação em cadeia o arquipélago da Madeira teve a subida mais elevada, de 0,7%, não se tendo observado qualquer região com variação mensal negativa.

Evolução homóloga e média das rendas efetivas pagas por inquilinos:

Fonte: INE

Estes dados constam do destaque do INE relativo ao Índice de Preços no Consumidor (IPC) de fevereiro, cuja variação homóloga foi de 2,1%, mais duas décimas do que em janeiro, confirmando-se, assim, as estimativas divulgadas pelo gabinete estatístico no final do mês passado.

Quanto ao indicador da inflação subjacente, que se refere ao índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, a taxa foi de 1,9% no segundo mês de 2026, 0,1 pontos percentuais acima dos 1,8% registados no início do ano.

Índices de Preços no Consumidor e de Inflação Subjacente (variação homóloga e média):

Fonte: INE

Segundo o gabinete estatístico, estes dois tipos de produtos tiveram duas tendências opostas: os energéticos desceram 2,2% em termos homólogos, enquanto os alimentos não transformados registaram uma subida de 6,7% (acima dos 5,8% de janeiro), que pode estar relacionada com o mau tempo que assolou o país e que destruiu muitas das explorações agrícolas e estufas, obrigando a importação de alimentos.

O INE destaca, também, os aumentos observados nos transportes e na restauração e hotelaria, com variações de 0,6% e 4,8%, respetivamente (versus 0,0% e 4,3% em janeiro). Em sentido oposto, assinalam-se as diminuições das taxas de variação homóloga na habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (de 2,9% em janeiro para 2,5% em fevereiro) e na informação e comunicação (de -2,3% para -2,5%).

Entre as principais contribuições para a variação homóloga do IPC constam a dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas e a dos restaurantes e serviços de alojamento. Já o vestuário e calçado e a informação e comunicação tiveram os maiores contributos negativos.

Em relação ao mês anterior (numa medição em cadeia, de janeiro para fevereiro), o INE indica que a variação do IPC foi de 0,1%, o que compara com -0,7% em janeiro e -0,1% um ano antes.

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, que permite fazer comparação com a inflação registada noutros países da Zona Euro, foi de 2,1%, valor idêntico ao do IPC, mas “superior em 0,2 pontos percentuais” ao valor estimado pelo Eurostat para a área da moeda única.

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