Thales avança com ‘cúpula de defesa’ para responder a ameaças híbridas

Apresentado como uma "cúpula global de defesa aérea e antimíssil", o SkyDefender integra tecnologias de deteção de ameaças, com um sistema de controlo impulsionado por IA para acelerar resposta.

Com as ameaças híbridas a testarem as capacidades de defesa de um número cada vez maior de países, a Thales avançou com uma solução tecnológica, o SkyDefender, que propõe uma “abordagem sistémica de várias capacidades” de defesa gerida por um sistema de controlo central impulsionado por inteligência artificial.

Apresentado como uma “cúpula global de defesa aérea e antimíssil”, o SkyDefender integra diversas tecnologias de deteção antecipada de vários tipos de ameaças áreas, terrestres ou marítimas — através de radares de longo e curto alcance ou de satélites em órbita — com um sistema central de comando, alimentado por IA, que acelera capacidade de resposta.

“Com o SkyDefender, a Thales fornece um sistema comprovado em combate, fácil de integrar e disponível hoje, confirmando nossa posição como um parceiro confiável de longo prazo para as forças armadas”, garante Hervé Dammann, vice-presidente executivo de sistemas terrestres e aéreos da Thales.

Um sistema onde a IA tem um papel relevante. “No SkyDefender estamos a usar a IA a vários níveis que podem estar interconectados”, explica o gestor. E exemplifica. “Por exemplo, quando está a usar um radar para detetar drones, o radar está a analisar a dimensão do objeto, e um pássaro e um drone podem ter a mesma dimensão. O operador do radar tem dificuldade em discriminar um pássaro de um drone. Estamos a usar a IA para melhorar o desempenho dos vários setores que podem ser usados e implementados no SkyDefender. Estamos também a usar a IA para melhorar a informação de defesa no local para acelerar o loop de decisão. No fim cabe ao operador decidir se atira ou não”, aponta numa conferência telefónica com jornalistas.

A solução SkyDefender integra uma rede de sensores com um sistema de comando e controle (C2), com uma “arquitetura aberta e modular, é totalmente compatível com os sistemas de defesa aérea existente”, refere a empresa. Ou seja, pode ser integrada com soluções de defesa — sensores ou sistemas de armamento — já existentes e pode evoluir com o desenvolvimento do tipo de ameaças. E não necessariamente só com soluções fornecidas pela Thales.

“O desenvolvimento e a implementação do sistema está abertos a parcerias com outros operadores industriais”, refere a companhia.

O escudo de proteção é constituído por “muitas capacidades”, muitas delas não só desenvolvidas como em uso em vários países e operacionais no terreno, assegura Hervé Dammann, quando questionado sobre se o sistema agora anunciado tinha já provado a sua capacidade operacional.

Mas, pese embora a complexidade de gerir diversos sistemas, o gestor garante que há “capacidade de fazer essa gestão”. Contudo, para certas situações, para determinada categoria ou pedido, a empresa pode “fornecer parte do SkyDefender”, como a solução para deteção de drones ou a vigilância do espaço, por exemplo. Mas pode “integrar, gerir e garantir a interoperabilidade” dos vários sistemas que, refere, são compatíveis com os requisitos NATO.

Cúpulas anti-drone

Com os ataques drone a ganharem visibilidade na Europa depois da invasão russa à Ucrânia — ou mais recentemente no Médio Oriente, com a reação iraniana ao ataque dos EUA e de Israel ao país a atingir com ataques drones diversos países da região —, a Thales não é a única empresa a avançar com soluções ‘cúpula de defesa’ para multirriscos.

A Polónia, por exemplo, está a avançar com o desenvolvimento de um sistema de defesa anti-drone após cerca de duas dezenas de drones russos terem violado o espaço aéreo polaco em setembro do ano passado. A solução, que está a ser desenvolvida por um consórcio polaco e norueguês, deverá ter um custo de cerca de 3,5 mil milhões de euros, sendo financiado pelo programa de empréstimos europeu SAFE, noticiou o Financial Times (artigo em inglês/acesso reservado).

“Setembro foi uma grande lição para a Polónia, porque tivemos que usar o que tínhamos, ou seja, aviões de caça com mísseis que custam 1 milhão de dólares cada para abater drones que custam talvez 1.000 dólares”, disse o general polaco aposentado Jarosław Gromadziński. “Isso mostrou que precisamos preencher rapidamente uma grande lacuna nas nossas defesas aéreas”, disse, citado pelo FT.

O futuro sistema, designado de San, é composto por 18 baterias móveis anti-drone, equipadas com sensores e um sistema de comando central. Centenas de veículos, montados com componentes de radar e armas, irão patrulhar a fronteira polaca e irão estar ligados aos sistemas de defesa nacionais e aliados.

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