Administração da Lusa “toma boa nota” da posição dos trabalhadores sobre modelo de governação
Os trabalhadores da Lusa manifestam-se esta quinta-feira contra o novo modelo de governação. Quer a administração, quer as Comissões de Trabalhadores da RTP e da Lusa emitiram posições.
O Conselho de Administração da Lusa tomou “boa nota” da posição dos trabalhadores e representantes sobre o novo modelo de governação do acionista Estado e sublinha que o objetivo principal é permitir um maior escrutínio da administração.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o Conselho de Administração (CA) da Lusa “regista a preocupação dos delegados sindicais e da Comissão de Trabalhadores com alguns temas que têm sido objeto de plenários ou manifestações recentes e vem esclarecer a sua posição” em três pontos.
O primeiro é que “tomou boa nota da posição dos trabalhadores e seus representantes relativamente ao novo modelo de governação que o acionista único (Estado) decidiu implementar e recorda que o objetivo principal desta nova orgânica foi, desde o início, permitir um maior escrutínio sobre as decisões do Conselho de Administração da Lusa“.
Até agora, acrescenta, “durante décadas, haveria uma maior dependência dos governos e também dos representantes dos media privados que eram acionistas da Lusa e tinham assento na administração, mas essa situação foi alterada, no final do ano passado, através do controlo da totalidade das ações pelo Estado”.
A administração refere que os novos estatutos “decerto merecerão a devida análise por diversas instâncias”, considerando que, “na sua génese, não se vislumbram tentativas de intromissão na área editorial por parte da Assembleia da República ou de outros órgãos de soberania, o que, aliás, não seria tolerado” pelo CA.
O comunicado acrescenta que a administração está aberta “a aprofundar sinergias com a RTP/RDP para estudar o cenário de utilização comum de infraestruturas das duas empresas em território nacional ou no estrangeiro, potenciando o melhor de cada entidade e a boa gestão dos recursos públicos”, mas afasta qualquer cenário de fusão.
“Que fique claro. Isso nunca passará por qualquer fusão de empresas, marcas ou redações, pois, tal como os trabalhadores, defendemos a identidade e o valor da Lusa“, garantem os três membros do Conselho de Administração.
“Pretendemos dignificar as condições de trabalho dos correspondentes regionais, dos delegados internacionais e de todos os profissionais desta casa“, prosseguem, recordando que, “desde o período da ‘troika’, com a exceção de Lisboa e do Porto, os trabalhadores das delegações não têm um local de trabalho atribuído pela empresa“, estando a ser avaliado parcerias com várias entidades, entre as quais a RTP.
“Contamos com o empenho e a dedicação de todos os trabalhadores e colaboradores desta casa, connosco podem contar com vontade e determinação para que a Lusa continue a ser uma referência no setor dos media e no jornalismo, com isenção, credibilidade, rigor e confiança”, enfatiza o Conselho de Administração. A administração relembra que a Lusa celebra este ano 40 anos, “como pilar e referência na comunicação social de Portugal”.
A nova administração, em plenas funções desde o início do mês, diz estar focada na elaboração do plano estratégico, que deverá conter as linhas orientadoras para os próximos quatro anos, e na avaliação “dos recursos mais adequados para a execução dessa estratégia”. Para tal, refere que vai avaliar as remunerações e outros incentivos “para a motivação e a produtividade dos trabalhadores, bem como a renegociação do contrato de serviço público, num clima de paz social”.
Os trabalhadores da Lusa manifestam-se nesta quinta-feira, em Lisboa e no Porto, por uma agência livre, independente e respeitada. Em causa está o processo de reestruturação da empresa, o novo modelo de governação, a possível mudança de sede para as instalações da RTP e a negociação do caderno reivindicativo, que levantam aos trabalhadores “preocupações sérias sobre o futuro da Lusa” e sobre as condições de trabalho.
Trabalhadores da RTP e Lusa preocupados com futuro apontam pouca transparência do Governo
As Comissões de Trabalhadores (CT) da RTP e da Lusa manifestaram também na quarta-feira preocupação sobre o futuro das duas empresas, considerando que o Governo tem sido pouco transparente nas políticas públicas anunciadas e tem criado um ambiente de incerteza.
Numa tomada de posição comum, as CT apontaram para a “falta de informações que deveriam ser claras e definitivas por parte do Governo sobre a eventual concentração da Lusa e da RTP num espaço comum”.
“As duas comissões de trabalhadores alertam que a junção das sedes no mesmo espaço pode vir a afetar a identidade dos respetivos órgãos de comunicação social, assim como o produto final do trabalho da televisão pública, da rádio pública e da agência de notícias“, pode ler-se no comunicado, também subscrito por outras organizações representativas dos trabalhadores da RTP e da Lusa, como Conselhos de Redação ou sindicatos.
Na tomada de posição comum, que ocorreu após uma reunião na terça-feira onde foi analisado o “atual contexto das políticas públicas que têm vindo a ser anunciadas pelo Governo e que visam ambas as empresas”, as CT comprometeram-se “a manter uma articulação permanente e avaliar a adoção de posições e iniciativas conjuntas”.
“Deste encontro resultou uma tomada de posição comum, responsável e inequívoca quanto à defesa da independência editorial, da autonomia institucional e da estabilidade das condições de trabalho nas respetivas entidades, pilares fundamentais para o cumprimento das missões de serviço público”, sublinharam.
As CT apelaram também à mobilização de todos os trabalhadores para as manifestações marcadas pela Lusa para esta quinta-feira, entre as 11:00 e as 13:00, que terão lugar em Lisboa, em frente à sede do Governo — Campus XXI –, e no Porto, em frente à delegação da Lusa — Praça Coronel Pacheco, n.º 2.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Administração da Lusa “toma boa nota” da posição dos trabalhadores sobre modelo de governação
{{ noCommentsLabel }}