Governo desafia empresas a unirem-se ao consórcio da gigafábrica de IA
O secretário de Estado para a Digitalização participou na conferência Building the Future, onde falou sobre a candidatura ibérica da gigafábrica de IA e deixou alguns conselhos.
Bernardo Correia apelou esta quinta-feira para que mais empresas portuguesas se juntem ao consórcio luso-espanhol que vai tentar atrair para a Península Ibérica uma gigafábrica de inteligência artificial (IA) apoiada pela Comissão Europeia. O secretário de Estado para a Digitalização explicou, na abertura da conferência Building the Future, que é importante que o país melhore as infraestruturas de IA e que mais empresas apoiem o projeto conjunto dos dois países, que depende de uma candidatura.
“Precisamos de reforçar a nossa infraestrutura de IA e a nossa capacidade de computação”, disse o governante, prosseguindo com um apelo às empresas que estavam presentes no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa: “Juntem-se ao consórcio, à gigafábrica de IA que estamos a criar, que reúne muitas grandes empresas portuguesas para criar a força financeira necessária para investir nessa capacidade de computação.”
Na semana passada, os governos de Portugal e Espanha formalizaram, na 36.ª cimeira luso-ibérica, a candidatura conjunta à gigafábrica de inteligência artificial (IA), um projeto liderado pela Comissão Europeia que vai selecionar cinco propostas para a implementação destas infraestruturas de computação.
Caso a candidatura ibérica seja selecionada, e de acordo com fonte familiarizada com o processo que falou ao ECO, o projeto deverá ter uma natureza “bipolar”. Isto pressupõe a instalação de infraestruturas nos dois países, sendo que, no caso português, o local escolhido é a cidade alentejana de Sines.
Empresas devem “investir por si próprias” em IA
O antigo líder da Google Portugal deixou ainda dois pedidos adicionais relacionados com a inteligência artificial, dirigindo-se aos empresários presentes no evento anual promovido pela Microsoft. Por um lado, defendeu um maior investimento direto das empresas em inovação nesta área, afirmando que “as empresas [portuguesas] precisam de investir mais em inovação em inteligência artificial por si próprias. Não esperem que tudo seja resolvido por outras empresas, vocês também precisam de contribuir para isso”, atirou o governante.

Por outro, aconselhou as organizações a apostarem em modelos de colaboração caso não consigam avançar de forma isolada: “Se não conseguirem fazê-lo sozinhos, juntem-se a outras empresas. O Center for Responsible AI faz um trabalho incrível. É um consórcio de empresas que se juntam e participam em investigação colaborativa sobre inovação em IA”.
Já na reta final da intervenção, Bernardo Correia apelou também ao investimento no capital humano, incentivando as empresas a reforçarem a formação dos trabalhadores. “Se tiverem recursos, ajudem a formar não apenas os vossos colaboradores, mas também a formar o país no seu conjunto. Muitas empresas já investem em programas de competências digitais que vão além das suas próprias organizações, e gostaríamos muito de ver ainda mais iniciativas desse tipo”.
Bernardo Correia mostrou-se ainda confiante de que a tecnologia poderá transformar o país. Se os passos forem bem dados, defendeu, em Portugal “não só vamos adotar a inteligência artificial, como também vamos transformá-la numa verdadeira vantagem competitiva para Portugal, o que ajudará a construir um futuro melhor para todos nós”.
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